Prefeito manda reabrir bares contrariando Coesp

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Também foi autorizada a expansão do horário de abertura do comércio

Nelson Bortolin

Apesar da orientação contrária do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública de Londrina (Coesp), o prefeito Marcelo Belinati (PP) determinou a reabertura dos bares, com a volta de venda de bebidas alcoólicas nesses estabelecimentos da cidade. Os parques e praças continuam fechados por mais uma semana. E o comércio terá horário expandido. As lojas de rua passam a funcionar das 10 horas às 17 horas a partir da segunda-feira, em vez de fecharem às 16 horas. E os shoppings poderão abrir das 11 às 22 horas, de segunda-feira a sábado. Os bares já podem reabrir neste sábado (25).

Em live nas redes sociais, Belinati classificou como “impressionante” o resultado da “lei seca”, que teve início dia 11 de setembro. Disse que a ocupação de leitos de UTI específicos para Covid caiu de 84%, no dia 13 de setembro, para 63% na quarta-feira (23). E a das enfermarias baixou de 49% para 28% no mesmo período. Já os atendimentos diários nas UPAs diminuíram de 379 para 322 por dia.

O prefeito apresentou outro indicador que apresentou melhora, mas mostra o quanto a crise ainda é grave na cidade. O R0, que mede a velocidade de propagação da doença, baixou de 1,18 para 1,11. Isso significa que 100 contaminados pela Covid repassam a doença para outros 110. Antes, repassavam para 180. Uma pandemia só é considerada em declínio quando o R0 é menor que 1.

“Estamos há sete meses em pandemia e as pessoas precisam trabalhar. O setor de bares precisa se unir e fazer a coisa certa”, justificou Belinati, referindo-se à regra segundo as qual os estabelecimentos só podem ocupar 50% de sua capacidade de atendimento. E prometeu que, quem infringir essa determinação, terá de fechar as portas por uma semana.

O prefeito disse ter convicção que não é o comércio, nem o banco, nem o transporte público que contribuem com a proliferação do vírus na cidade, desde que os clientes e usuários utilizem máscaras. Mas as aglomerações de jovens em bares, churrascos e festas. “Mais da metade dos contaminados em Londrina (51%) são jovens”, afirmou.

A promotora do Ministério Público do Paraná Susana Lacerda criticou a decisão do prefeito. “Pelo CDC, bares são os locais mais contaminantes”, declarou ela à Lume. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos é reconhecido como o mais importante do gênero em todo o mundo.

Com o agravamento da pandemia na cidade nas primeiras semanas deste mês, a promotora apresentou ao Judiciário, dia 15 de setembro, um pedido de tutela antecipada em ação protocolada anteriormente pelo Ministério Público. Ele pede o fechamento de todas as atividades econômicas não essenciais em Londrina, devido à Covid-19 “Em 13 de agosto, havia 253 casos ativos; em 13 de setembro, 498 casos ativos; um aumento de 96%”, escreveu Lacerda no pedido que ainda não foi apreciado pelo juiz.

“Na semana iniciada em 31 de agosto, havia 168 mortes acumuladas; nesta semana, inciada em 7 de setembro, havia 192 mortes acumuladas. Ou seja, em uma única semana 24pessoas faleceram pela Covid-19 no Município”, complementou.

COESP

Na tarde desta quinta-feira, antes da live do prefeito, o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública de Londrina fez sua reunião semanal para avaliar os últimos dados da doença na cidade. O órgão foi contra as medidas anunciadas por Belinati e, em seu relatório, disse que “segue não recomendando, em nenhum tipo de proposta/esquema alternativo, novas aberturas, conforme relatórios anteriores”.

O Coesp também sugeriu que o Município avalie “estratégias de mitigação de transmissão do SARS-CoV 2 (novo coronavírus) embasadas no risco por atividade econômica.”

Por outro lado, o órgão concluiu que a variação para baixo da taxa de positividade para Covid-19 permite a cidade voltar à classificação laranja, de risco moderado, segundo os critérios do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Há duas semanas, Londrina passou da cor laranja para a vermelha, de alto risco.

Nesta quinta-feira, morreram mais três pessoas com a doença em Londrina, uma mulher de 88 anos, um homem de 76 e outro de 65.

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