Ladeira abaixo

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Por Carlos Monteiro*

Com a publicação no último dia 15 de dezembro, pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento), da ONU, o Brasil cresceu, mas despencou cinco posições no ranking do IDH. Meio que uma história musical composta por Mauro Duarte e imortalizada pela “Sabiá Guerreira” em “Lama”: subiu, mas, desceu, parecendo, de longe, não ter o céu como limite, mixada com a aclamada Pepeumoreriana “Lá vem o Brasil descendo a Ladeira”…

O país conseguiu elevar seu indicador em relação ao ano anterior crescendo míseros 0,003 pontos, o mesmo crescimento da média mundial. Ainda assim, passou da posição de septuagésimo nono lugar para octogésimo quarto numa lista em que figuram 189 países. Está atrás do Chile, da Argentina, do Uruguai, do Peru, – sem qualquer trocadilho infame – e da Colômbia pelas bandas da América do Sul; eu sei, vocês não vão saber…

O IDH é utilizado para medir o progresso dos países em renda, saúde e educação. Quanto mais próximo de um for o valor, mais alto é o desenvolvimento humano.

Na pole desta corrida por um mundo melhor, vem a Noruega faltando, somente, 0,043 pontos para receber a bandeirada xadro-alvi-negra. Na lanterna vem o ‘cansado’ Níger apresentando um índice de 0,394; uma tristeza sem fim. Comparados, o melhor e o pior índice, apresentam uma diferença de 0,563 pontos. É muita coisa.

Afora o aforismo que, “para baixo todos os santos ajudam”, parece que em terras tupiniquins até os provérbios são ressignificados. Neste caso específico, precisamos dar a César o que lhe pertence. Os santos se esforçam enormemente, cá no país-continente, para que, de fato e direito, Deus seja brasileiro nato, abençoe sempre esta terra em que plantando tudo dá, e continue usando o Rio de Janeiro como seu almoxarifado. Falta de fé não há no povo bendito deste espaço fecundo do planeta. Brasileiro, bom de fieza, apela aos santos e aos orixás e assim vice-versa de quando em vez e de vez em sempre. Se benze à porta das igrejas e, por via das dúvidas, derrama um gole da cachaça desgraça que todos tomam para se redimir, dividindo-a, irmãmente, com o santo. Vai sempre devagar com o andor, mesmo sabendo que os santos não são do pau oco nem de barro!

Brasileiro pede com fervor, comemora dia de santo e dia santo. Roga aos céus que a vida melhore, que com saúde e educação a renda virá, aflorará, florescerá, mas, mesmo com uma plêiade angelical de Serafins e Querubins ajudando na empreitada da turma santificada, está difícil. E como está. Cada dia uma ‘novidade’, a todo momento uma nova história para enxovalhar os anais dessa terra Brasilis.

Parece que entramos numa roda viva que não há santo que dê jeito e olha que eles , tão somente eles, é que fazem milagres. Oh Deus salve o oratório!

Valei-me Todos os Santos!

*Carlos Monteiro, 61, é cronista, jornalista, fotógrafo e publicitário carioca. Flamenguista e portolense roxo, mas, acima de tudo, um apaixonado pela Cidade Maravilhosa.

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