Incidência da Covid em Londrina avança acima da média nacional

Publicado por

Cidade registrou hoje mais 334 novos casos e quatro óbitos

Cecília França e Nelson Bortolin

Foto em destaque: Isaac Fontana

Londrina teve mais quatro mortes por covid-19 nesta terça-feira (29), totalizando 429 desde o início da pandemia. Os óbitos são de três homens – um com 71 e dois com 80 anos – e de uma mulher de 49 anos. Com 334 novos casos registrados, agora são 21.226 londrinenses que se infectaram com o novo coronavírus desde março.

A média móvel diária de novos casos – que é a soma de novos casos dos últimos sete dias dividida por sete – agora é de 261 e a de mortes, de 3.

O número de pessoas internadas com a doença chegou a 112 nesta terça-feira, teto que já havia sido registrado duas vezes anteriormente, nos dias 5 e 16 de dezembro.

Quando considerados apenas os pacientes de UTI, a situação já esteve bem mais grave no município. O recorde foi no início de setembro, com 61 pessoas nessa condição.

O boletim divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde mostra que a incidência da pandemia em Londrina ultrapassou pela primeira vez a média nacional no dia 24 de dezembro, quando a cidade teve 35.088 casos por milhão e o País, 35.049. Nesta terça-feira, o número de Londrina (37.256) estava significativamente maior que o do Brasil, 35.712.

O boletim estadual da covid mostra regiões do Paraná em situações piores. Quando somados os casos nos municípios que compõem a regional de saúde de Londrina, são 36.670 casos por milhão de habitantes. Na regional de Foz do Iguaçu, são 61.190 e, na de Paranaguá, 43.660.

As regiões de Toledo e Maringá também têm bem mais casos por milhão de habitantes: 40.620 e 40.540, respectivamente. Francisco Beltrão (39.980), Cascavel (38.850), Telêmaco Borba (38.690) e a Região Metropolitana de Curitiba (36.670) são outras com maior incidência das infecções pelo novo coronavírus.

Superlotação

Em entrevista concedida à Lume, a superintendente em exercício do Hospital Universitário da UEL, Luiza Moryia, disse que os dados epidemiológicos da doença sofrem mudanças muito rápidas e que nesta terça-feira a unidade não estava em “regime de restrição de atendimentos”. Porém, a rotatividade de pacientes com covid é lenta.

“Quando dizemos que a taxa de ocupação está acima de 85% para pacientes covid e de 117% para pacientes não covid, consideramos preocupante a situação epidemiológica do período pós-festas de final de ano”, afirma.

Ela ressalta que há 69 servidores do HU afastados devido a suspeitas e casos confirmados de covid. “E temos 63 servidores em trabalho remoto por comorbidades.” Se os profissionais continuarem adoecendo por causa do novo coronavírus, a cidade poderá viver uma situação inusitada: ter leitos e equipamentos, mas não ter equipe para tratar os pacientes.

A superintendente lembra que acidentes e outras doenças seguem acometendo a população e que esses casos competem por vagas com os de covid. “Porque numa situação de colapso não há como ‘reservar’ leitos para pacientes covid ou não covid”, alerta.

“Mais uma vez nosso apelo: a responsabilidade de adquirir ou não o Virus SARS-Cov-19 deve ser de todos”.

Outros hospitais

Nos hospitais Evangélico e Santa Casa a superlotação persistia hoje. No HE havia 25 pacientes no Pronto-socorro (19 vagas), 16 pacientes SUS na UTI (15 vagas) e 15 pacientes aguardando vaga na UTI no PS.

Na Santa Casa, estavam 30 pacientes no PS (12 vagas), sendo que, dentre eles, estavam em leitos extras de UTI.

Esses dados são de pacientes gerais. HE e Santa Casa atendem pacientes covid apenas conveniados ou particulares.

Deixe uma resposta