Saiba mais sobre a Coronavac, que Londrina pretende comprar

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Vacina com tecnologia chinesa desenvolvida pelo Instituto Butantan deve ter eficácia divulgada ainda nesta semana

Cecília França

O Instituto Butantan deve divulgar no próximo dia 7 a eficácia da Coronavac*, vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Os resultados dos testes das fases 1 e 2 foram satisfatórios e muitos municípios já manifestaram interesse na compra do imunizante, além de São Paulo, que tem seu plano de vacinação alicerçado na Coronavac. Londrina também deve fechar contrato com o Butantan nesta semana, conforme anunciou o prefeito Marcelo Belinati na semana passada.

“Se o governo não entregar, Londrina vai garantir vacina”, declarou Belinati em transmissão ao vivo. Ele se referia ao Governo Federal, que ainda não aprovou nenhum imunizante. Por questões ideológicas o governo Bolsonaro resistiu a incluir a Coronavac como opção, mas o Ministério da Saúde acabou encomendando 46 milhões de doses do imunizante e negocia uma ampliação.

Se ainda não se tem a eficácia, o que sabemos sobre a Coronavac até o momento? Buscamos as informações para você conhecer melhor a vacina que pode chegar aos londrinenses.

  • Indonésia, Turquia e Chile também estão testando a Coronavac. A Turquia divulgou pesquisa preliminar, com poucos voluntários, em que atestou eficácia de 91,25% do imunizante. A Indonésia deve apresentar resultados da fase 3 ainda em janeiro. O Chile já encomendou 20 milhões de doses da Coronavac.
  • A China aprovou sua primeira vacina e não foi a do Sinovac, mas a do laboratório estatal Sinopharm, que apresentou 79,34% de eficácia.
  • Nas fases 1 e 2 a vacina apresentou 97,7% de resposta imunológica nos mais de 50 mil voluntários testados pelo Instituto Butantan. Apenas 5,36% tiveram reações adversas, todas leves, como dores no local da aplicação. As fases 1 e 2 testam a segurança do medicamento.
  • Na fase 3 a Coronavac está sendo testada em 14 centros de vacinação em sete Estados contando com 13 mil voluntários. Nela testa-se a eficácia do imunizante. A porcentagem significa o índice de pessoas imunizadas dentre os vacinados. Por exemplo, um índice de eficácia de 91% quer dizer que 91 a cada 100 vacinados ficam protegidos.
  • Após dois adiamentos, o governo de São Paulo marcou para 7 de janeiro a divulgação dos dados de eficácia da Coronavac, quando também deve fazer o pedido de registro à Anvisa. São Pauloj á tem encomendadas 46 milhões de doses da vacina.
  • Antes do anúncio de Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá e Cascavel já haviam anunciado acordos para a compra da Coronavac.
  • Segundo o site Tem Londrina, a prefeitura de Londrina teria reservado R$ 30 milhões para a aquisição da Coronavac. O site apurou que uma dose da vacina deve custar R$ 55. Com o valor reservado seria possível, portanto, adquirir 545.454 doses. Lembrando que são necessárias duas doses por pessoa para imunização completa.
  • A Coronavac é desenvolvida a partir da tecnologia de vírus inativado, assim como as vacinas da Influenza, raiva, HPV, poliomelite, hepatite A e B, difteria, tétano, pertússis, HIB, meningocócicas, entre outras.
  • O Instituto Butantan, que desenvolve a Coronavac no Brasil, é o responsável por diversas outras vacinas do calendário nacional, como a da gripe, hepatites A e B e HPV.

Até o momento nenhum fabricante pediu autorização para registro ou uso emergencial de vacinas à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No último sábado, a Fiocruz solicitou autorização para a importação de 2 milhões de doses da vacina de Oxford, mas não para aplicação.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em dezembro, 22% dos brasileiros não pretendem se vacinar contra a covid-19.

*Conforme previsto, o Butantan divulgou hoje (7) que a Coronavac tem eficácia de 78%. Isso quer dizer que 78 a cada 100 pessoas que tomarem a vacina ficarão imunes ao novo coronavírus. Com base nesse dado, o instituto pedirá registro à Anvisa, que tem 72 para dar a resposta.

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