Oito anos depois, caso de Marina Maria chega ao MP

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Cabe ao Ministério Público definir se investigação feita até agora pelo Nucria é suficiente para oferecimento de denúncia contra os acusados

Cecília França

Foto em destaque: Projeção em prédio de Londrina na noite de ontem/Isaac Fontana

A investigação do estupro coletivo sofrido pela londrinense Marina Maria em 2013 segue em curso no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria). A delegada do órgão, Lívia Pini, garantiu hoje o envio do processo ao Ministério Público (MP) para possível oferecimento de denúncia.

“Vamos encaminhar hoje para a Promotoria analisar se já conseguem fazer a denúncia com os elementos que já levantamos”, disse à Lume. A delegada classifica o caso como “complexo”, com “necessidade de exame de DNA e vários suspeitos”. De acordo com ela, diversos fatores influenciam na lentidão da investigação.

“Falta de servidores, principalmente. Atualmente estamos acumulando a Delegacia do Adolescente e também integrando o plantão geral. Fora que existem alguns critérios de priorização de casos (investigado preso, múltiplas vítimas de um mesmo agressor, vítima em risco). Esses casos ‘passam na frente’”, explica.

O fato de o Nucria ainda não existir em Londrina em 2013, quando a queixa foi registrada, também pode ter contribuído. “A gente recebeu um passivo muito grande das outras delegacias. Demora até conseguir analisar tudo”, diz Lívia.

Desde o início da semana, cresce nas redes uma campanha pedindo justiça por Marina. Nesta noite, uma projeção em um prédio na Avenida Juscelino Kubitschek expôs a #JustiçaPorPretaMar.

Apoios

A mobilização nas redes em torno do caso de Marina começou pelo Slam Voz das Minas e LGBTQ+/PR, por meio do qual a poeta teve força para falar sobre seu caso. A partir das postagens do ‘Slam’, surgiram novos coletivos apoiadores.

O coletivo Tendência Autônoma Feminista convive com Marina e acompanha sua luta desde o início – luta esta que, acreditam, foi invalidada de diversas formas. “A questão é que nada foi feito para responsabilizar os agressores até hoje, muito pelo contrário, em muitos espaços a mesma ainda é chamada de ‘louca’ e ‘mentirosa’”, afirmam à Lume.

Para o coletivo, a estrutura patriarcal exige, direta e indiretamente, o silêncio de vítimas de violência. “O que esperamos é trazer acolhimento para a vítima e, além disso, ampliar o debate acerca da cultura do estupro”.

A Frente Feminista de Londrina também tem se posicionado nas redes sociais em apoio a Marina. “Nós entendemos que todas as formas de violência contra as mulheres devem ser apuradas e punidas exemplarmente”, disseram as representantes. “Um estupro é algo terrível e não pode ser uma piada. Por Preta Mar e por todas nós, vamos até o fim por justiça”, finalizam.

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