Em três anos, triplicam denúncias ao Nucria de Londrina

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Em 2020, pandemia não reduziu número geral de ocorrências, mas delegada vê impacto da falta da escola nos casos registrados

Cecília França

Foto em destaque: Instagram @londrinanucria

De 2017 a 2020, o número ocorrências registrados no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) de Londrina mais que triplicou. Naquele ano foram 165 denúncias, enquanto que no passado foram 501. Em 2018 e 2019 haviam sido 368 e 481 B.O.s, respectivamente. A pandemia não impactou na crescente dos números gerais, mas a delegada do órgão, Lívia Pini, observa impactos do atual momento.

“A gente sentiu uma queda nas denúncias de agressão. Vinha muito da escola, de acionamento do Conselho (Tutelar) – porque a professora chamou, a criança chegou machucada e falou que foi o pai e a mãe – e isso a gente não tem mais recebido, claro”, explica. As escolas estão fechadas em Londrina desde março de 2020.

Para a delegada, o aumento anual no registro de denúncias não representa, necessariamente, um crescimento no número real de casos. “Como antes não tinha Nucria, nem acho que foi aumento de casos, mas as pessoas conhecendo mais, sabendo que tem uma delegacia especializada e denunciando mais”, avalia. O Nucria foi inaugurado em Londrina em 2015.

“Se a gente comprovasse mesmo essa queda no número de casos de agressão daria para afirmar que aumentaram os de violência sexual. Mas teria que fazer um levantamento, demanda tempo”, afirma a delegada.

Tempo sobrando é algo que a equipe do Nucria não tem. No ano passado foram instaurados 190 procedimentos, mas a pilha de processos na mesa e nos armários da sala da delegada mostram o acúmulo de trabalho. São 1.700 investigações em aberto, algumas de 2016. Há casos ainda mais antigos, de quando o órgão ainda não existia, como o de Marina Maria.

Prioridades

Lívia Pini explica que alguns casos “passam na frente” e podem resultar em prisão imediata do agressor, como múltiplas vítimas, situações muito violentas e fácil acesso à criança.

“Quando o caso chega para B.O., a gente primeiro encaminha para escuta; quando tem indício que pode ter lesão faz o IML; faz o que tem de urgente no sentido de preservação de provas e o pessoal do setor de escuta já comunica toda a rede (Conselho e Creas), que faz essa análise se a criança está em risco”, detalha Lívia.

Feito o que há de urgente, o caso vai para a fila. “O problema é que na fila a gente perde o controle”, diz a delegada.

Em 2019, as escolas de Londrina começaram o Programa Professor Mediador, que prevê que estes profissionais façam a escuta especializada das crianças. “Isso já desafogava muito a gente, porque antes todas as escutas vinham para cá, gerava agenda, atrasava”, diz a delegada. A pandemia, no entanto, também está impedindo que esse trabalho aconteça.

Denúncias

Setenta e seis por cento (76%) das denúncias feitas ao Nucria envolvem vítimas do sexo feminino; 63% dos agressores são da família, 23% conhecidos e apenas 8% desconhecidos. Qualquer mudança brusca de comportamento deve levantar o alerta dos responsáveis.

“Comendo demais, comendo de menos, chorando demais, dormindo demais, se voltar a fazer cocô e xixi na cama… Pode não ser nada, ou pode ser outra coisa, mas também pode ser uma situação de violência”, alerta a delegada do Nucria.

As denúncias de violência sexual chegam, em sua maioria, direto no órgão. Algumas chegam via Conselho Tutelar e outras, as mais violentas, via sistema de saúde. Denúncias podem ser feitas também pelos Disque 100 e Disque 180, mas demoram mais para checar ao Nucria local por entrarem em um fluxo nacional.

Qualquer dúvida pode ser esclarecida pelo telefone direto do Nucria Londrina: 3325-6593.

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