Denúncia de agressão de GMs a adolescente é arquivada pela Corregedoria

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Processo interno não conseguiu identificar autores da violência; inquérito segue aberto no Nucria

Cecília França

A Corregedoria da Guarda Municipal de Londrina arquivou o processo que investigava a autoria da agressão sofrida por um adolescente de 17 anos, em outubro do ano passado, no Zerão, por parte de guardas municipais. Assinada pelo corregedor adjunto Tales Rafael Garcia da Hora, a decisão aponta que “não há elementos suficientes para a instauração do procedimento disciplinar”, mas reconhece a ocorrência da agressão: “Por todo o exposto, com base nos documentos e informações juntadas aos autos, conclui-se que o adolescente L.E.M. sofreu agressões físicas por parte dos guardas municipais“.

O caso aconteceu na madrugada de 25 de outubro do ano passado, quando a guarda foi acionada para dispersar aglomeração no Zerão, em observância aos decretos municipais decorrentes da pandemia. De acordo com o adolescente, ele se encontrava na escadaria do local junto com outros amigos e, ao contrário de outros presentes, não correu ao avistar a guarda. Ele e outro rapaz foram abordados e, então, as agressões teriam se iniciado. Um vídeo amador mostra segundos da agressão, mas não permite o reconhecimento dos participantes.

Conforme constante nos autos, quatro viaturas da GM foram acionadas para a ocorrência naquele dia, sendo que três estacionaram na rua onde a agressão ocorreu. Os oito guardas que estiveram no local foram ouvidos e todos negaram ter presenciado ou cometido a violência.

O adolescente e seu pai – que relata ter ido buscar o filho no Zerão naquela noite e conversado com dois guardas – fizeram uma tentativa de reconhecimento facial dos envolvidos por meio de fotos. Porém, dos três homens apontados por eles como presentes naquela noite, dois pediram baixa da guarda em 2017 e outro não estava em serviço no dia da ocorrência.

Para a mãe do adolescentes, que prefere se manter no anonimato, diz que a família acompanhou todo o andamento do processo e que a decisão causa dupla sensação: “Por um lado fico indignada, por outro, penso que o reconhecimento da agressão foi um ponto positivo”, diz ela à Lume.

“Esse episódio marcou tanto negativamente a minha vida que no final do ano eu adoeci”, conta a mãe. “Quando eu recebi a notícia (do arquivamento) respirei fundo, pensei que isso ia acontecer porque o corporativismo é muito grande”.

Para ela, a denúncia feita pela família foi positiva para dar visibilidade a casos de violência por parte das forças de segurança. “Eu faria tudo novamente porque nossa denúncia trouxe a questão à tona”, avalia.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil por meio do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria).

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