Renda mínima das famílias deveria ser de R$ 5.335

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Em live realizada pela Rede Lume, economista do Dieese-PR analisa os problemas da economia brasileira e seus efeitos sobre os mais pobres

Foto: Carlos Aranda – unsplash

Nelson Bortolin

A pandemia do novo coronavírus apenas intensificou a piora da economia brasileira, que já vinha se deteriorando. Inflação e desemprego em alta tornam a vida dos trabalhadores ainda mais difícil. Para discutir o assunto, a Rede Lume realizou uma live nesta quarta-feira (24) com o economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Paraná, Sandro Silva.

Veja alguns trechos da live.

“É importante ressaltar que em 2019 já havia um movimento de alta do IPCA (índice oficial da inflação medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE), que fechou em 4,31%”, afirma o economista, ressaltando que o INPC, que mede a inflação de quem ganha de 1 a 5 salários mínimos, fechou acima da inflação oficial, a 4,5%, “principalmente por causa dos alimentos.”

A alta do dólar, que saiu de R$ 3,88 em 2018 para R$ 4,34 no início da pandemia e R$ 5,60 atualmente, é a principal explicação para a elevação dos preços dos alimentos.

Além do impacto do preço dos alimentos, que subiram 16% nos últimos 12 meses, as contas de água e luz pesam mais na vida dos mais pobres. “Mesmo com a pandemia, principalmente no Paraná, as tarifas subiram . Apesar de serem estatais, as companhias têm a lógica de proteger os acionistas, em vez de proteger a população.”

O impacto do aumento dos combustíveis sobre os demais preços é outro grave problema atual da economia brasileira. Para Silva, como a Petrobras tem seus custos em reais, não faz sentido o argumento de que a estatal precise acompanhar os preços em dólar do mercado internacional. “Também é preciso rever a política da empresa de exportar petróleo bruto e importar refinado, subutilizando as refinarias”, declara. Mas ele não acredita que isso vai ser feito pelo atual governo. Pelo contrário. “O governo pretende vender as refinarias.”

O economista explica que o desempego real deve ser maior que os 13,5% apontados pelo IBGE. Isso porque a taxa de desemprego não leva em conta os desalentados, ou seja, aquelas pessoas que não estão procurando emprego por um motivo ou por outro. Com a pandemia, muita gente deve ter entrado nessa situação. Quando a crise do novo coronavírus estiver sob controle, a tendência é que o desemprego oficial aumente.

R$ 5.335. Essa é a renda mínima mensal que uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) deveria ter para viver dignamente. Ou seja, um valor cinco vezes maior do que o atual salário mínimo de R$ 1.100. O cálculo é feito pelo Dieese há muitos anos. “A gente atualiza mensalmente com base nos valores da cesta básica”, conta o economista.

A Rede Lume pediu para o economista analisar a questão do desemprego no Paraná. Ele afirma que “historicamente” o Sul apresenta taxas melhores que a nacional. “Também na pandemia, a gente observa que o impacto no Paraná foi menor porque o forte da economia é a agropecuária e a indústria da alimentação, setores que estão crescendo, exportando e gerando emprego.”

Para o País melhorar economicamente, segundo Silva, não há outra saída se não a vacinação em massa. Ele defende também uma visão política econômica de mais investimentos feitos pelo Estado para gerar emprego e renda á população.

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