Esperança

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Por Antonio Rodríguez*

“Quando Pandora abriu a caixa
Todos os males voaram para longe
Antes que ela sequer reagisse
Quando por fim fechou a caixa,
Restara apenas um
A Esperança”

Todos já ouvimos esse mito
Todos já contamos essa história
E nos perguntamos em algum momento
“O que fazia a esperança
Dentro da caixa de todos os males? ”

Para os Gregos a esperança nublava os olhos
Agarrar-se a um desejo de algo melhor
Nos fazia não enfrentar a realidade
E a deixava ainda pior.

Mas considerando que estamos no pior
(Ou o Brasil de Bolsonaro mudou de nome?)
Não há mal em desejar algo melhor
Não há mal em ver algo bom
Em uma onda, ou melhor, tsunamis de notícias ruins.

Olhar para o lado
E ver um exemplo de um bom coração
Acreditar em seu âmago que isso ainda existe.

Abrir o celular e ver um amigo vacinado
Deixar-se contagiar pelo calor que toma o peito
Mesmo sabendo que não há vacinas suficientes
Naquele momento nada mais importa.

A turba de ajuda que se reúne quando alguém precisa
Quase comparável à turba de notícias ruins
Que se abate diariamente
Em nossos corpos indo para o abate.

Mas pare, sorria
Não porque você está sendo filmado
Alguém te contou uma boa noticia
E depois de tanto tempo
O sorriso ainda teima em escapar dos nossos lábios.

Tenha um pouquinho (ou nem tão pouco) de esperança a mais.

Eu cresci com minha mãe dizendo que esperança era uma palavra bonita. Sendo apaixonado por mitologia grega como eu fui, não me parecia racional que essa palavra/sentimento tão bonito, descansasse em um baú destinado aos males da humanidade.
Mesmo com toda a racionalidade de quem nos presenteou com os primórdios da filosofia ocidental, eu ainda teimo em discordar dos gregos, esperança está destinada a um lugar de estima dentro de nossos corações, principalmente nos momentos mais sombrios de nossos tempos.

*Antonio Rodríguez, 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

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