Cesta básica comprometeu 44% do salário mínimo em abril

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Gasto com alimentos básicos não deveria ultrapassar 20% para que trabalhador pudesse poupar e demandar outros produtos, diz economista

Cecília França

A cesta básica de alimentos para uma pessoa custou, em abril, R$ 485,62 em Londrina, conforme pesquisa mensal do Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea). Desta forma, a cesta comprometeu 44,1% do salário mínimo nacional de R$ 1.100, índice muito superior ao ideal. Para uma família de quatro pessoas o preço da cesta foi de R$ 1.456,86. Segundo o economista Marcos Rambalducci, responsável pela pesquisa, 50% da renda de uma família deveriam ser dispendidos com alimentação e moradia. Depois de pagas outras despesas, ligadas à saúde, transporte, educação, o ideal seria uma sobra de 20% desta mesma renda para que houvesse capacidade de poupar e investir, além de demandar produtos diferentes.

A realidade é muito diferente, no entanto. Com o arrocho, quem recebe um salário mínimo pouco consome produtos como carne bovina, constante na pesquisa. “A alimentação não deveria comprometer mais que 20% da renda familiar. Se extrapolarmos esta percepção para o valor do salário mínimo a cesta básica não deveria ultrapassar hoje o valor de R$ 220,00 e não os atuais R$ 485,62, que significa que esta cesta está 120% acima do valor considera aceitável”, calcula Rambalducci.

Em abril, a cesta registrou aumento de 3,3% em relação ao mês anterior. O comprometimento da renda com a cesta básica nos quatro primeiros meses deste ano está em 43,8%, o maior índice desde 2008. No ano passado, a média de comprometimento ficou em 41,1%.

De acordo com Rambalducci, desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2003, a situação mais confortável para o trabalhador ocorreu em 2017, quando o percentual dos gastos com a cesta básica foi de 34,2%. “Já as situações de maior comprometimento aconteceram nos anos de 2003, 2004 e 2005, respectivamente comprometendo 60,9%, 56,7% e 54,1% (do salário mínimo)”, diz o economista.

Levantamento: Marcos Rambalducci

Para o economista, recompor o poder de compra requer não somente uma elevação dos salários, “isso porque esta inflação está associada a uma elevação na demanda por alimentos”, observa. De acordo com ele, é preciso aumentar a produção e a produtividade para que os preços caiam, assegurando o poder de compra do salário mínimo.

“A elevação dos salários sem que haja o aumento da produção somente gerará inflação nos preços. Já vimos isso acontecer”, alerta.

Preços em abril

Em abril, oito dos 13 produtos que compõem a cesta básica apresentaram aumento: tomate (26,6%), batata (9,1%), banana (5,7%), café (4,9%), carne (2,3%), farinha de trigo (1,9%), óleo (0,7%) e margarina (0,2%). Já açúcar (-0,7%), feijão (-3,2%), leite (-3,4%) e arroz (-5,1%) demonstraram queda, enquanto o pão francês manteve estabilidade.

Em relação a abril do ano passado, quando a cesta custava R$ 397,46, o aumento no mês passado foi de 22%. A inflação acumulada em 12 meses é de 16,9%.

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