Em duas semanas, 15 turmas fecham por covid em colégios do Estado

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Noventa e cinco casos de contaminação entre professores, alunos e funcionários foram reportados à Seed desde o retorno gradativo do ensino híbrido, em 10 de maio

Cecília França

Parte dos colégios estaduais da região retomaram ontem (24) atividades em modelo híbrido, com parte dos alunos em ensino remoto e parte dentro das instituições. De acordo com a Secretaria da Educação e do Esporte (Seed), 74 unidades estão funcionando na área de abrangência do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, que envolve 19 municípios. O retorno gradativo das aulas no Estado iniciou no último dia 10 de maio e, até a última sexta-feira, 15 turmas e quatro colégios tiveram aulas suspensas por causa da covid-19.

Segundo informações da Seed, foram reportados à secretaria 38 casos positivos em alunos, 32 casos em professores e 25 em funcionários. De 10 a 21 de maio cerca de 24 mil estudantes e 12 mil profissionais da educação voltaram a frequentar 200 colégios. Em Londrina a secretaria não sabe mensurar quantos são os alunos, professores e funcionários envolvidos no retorno, pois “cabe a cada instituição comunicar a própria realidade”.

Apenas os colégios com condições de cumprir os protocolos de biossegurança e com rede lógica apropriada para a transmissão das aulas em tempo real retornaram, garantem Seed e NRE. O objetivo é atender alunos em situação de vulnerabilidade e que não têm conseguido acompanhar as aulas virtuais. Contrária ao retorno antes da vacinação dos professores e funcionários, a APP-Sindicato promoveu ontem um protesto em frente ao núcleo.

Levantamento da entidade sindical mostra que dentre os que optaram por não retomar as aulas presenciais estão os colégios: Professora Ubedulha C. de Oliveira, Professora Olympia Morais Tormenta, Pe. Wistremundo R. P. Garcia, Newton Guimarães, Nossa Senhora de Lourdes, Sagrada Família, João Sampaio, Professor João Rodrigues e Professora Beahir Edna Mendonça. A APP decretou greve para a modalidade presencial.

“A greve já está deflagrada, mas só para a aula presencial, continuaremos com as aulas remotas”, informa o presidente da entidade em Londrina, Márcio Ribeiro.

Uma professora de dois colégios estaduais, ouvida pela reportagem, conta que uma das unidades optou por não retornar e a outra não tem funcionários suficientes. “Não tem como retornar sem funcionários. Não tem quem limpe, nem quem faça merenda, nem que faça aferição da temperatura”, declara. Questionada sobre a falta de funcionários, a Seed respondeu apenas que “Todas (as escolas) que voltaram estão em condições de atender o número de estudantes e turmas convocadas”.

Protesto de professores em frente ao NRE em Londrina. Foto: Isaac Fontana

Outra professora conta que a escola em que atua retornou com apenas duas turmas, uma pela manhã e outra a tarde. Ela diz que há pressão para o retorno por parte do núcleo regional e fala sobre o temor de voltar sem vacinação contra a covid-19. “Na escola em que eu trabalho decidiram por ter cinco alunos por sala, mas esses cinco alunos podem ter tido contato com pessoas que estão com covid. A possibilidade de contaminação não passa a ser nula”, afirma.

O Estado já iniciou a vacinação dos professores, mas com alcance abaixo do esperado. Em março, o governador Ratinho Jr. havia declarado que as escolas reabririam apenas após a imunização dos professores, o que deveria ocorrer no mês de maio. Em Londrina foi liberado hoje o agendamento para professores e professoras entre 50 e 59 anos com cadastro validado.

Questão social

A chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Jéssica Piere, diz que a evasão de estudantes foi um dos pontos determinantes para a decisão de retorno híbrido. “A gente precisa trazer esses alunos para dentro, ensinar a usar máscara. Se você puxar pela história a escola forma para o mundo. Sinto a resistência dos professores, compreendo. Mas também tenho que desviar meu olhar para os lados e ver que essas crianças estão sem escola há 1 ano e 3 meses”, declara.

Ela diz que tem orientado os diretores a chamar quatro ou cinco alunos por turma, para trazer as crianças para dentro da escola. “Fazemos um apelo para as famílias, para que os alunos que acompanham em casa, fiquem em casa. O retorno é justamente para os alunos que estão às margens, que não têm acesso à internet, e em situação de vulnerabilidade social. A situação social é muito diferente de uma família para a outra. Ninguém quer colocar ninguém em risco”, declara.

O presidente da APP em Londrina, Márcio Ribeiro, diz que os professores têm conhecimento da situação de vulnerabilidade de alguns estudantes, que não conseguem acessar as aulas de forma remota e, por isso, têm se mantido fora do ambiente escolar. “Este tem sido um problema que precisa ser resolvido, mas não à custa de vidas. Uma vida importa”, declara.

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