Familiares pedem vacinação de presos e agentes após surto na PEL I

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Esta semana, 35 detentos e três servidores testaram positivo para Covid-19 na unidade

Mariana Guerin

Familiares de detentos da Penitenciária Estadual de Londrina I (PEL I) vão se reunir em frente à unidade às 14 horas desta sexta-feira para manifestar a necessidade de vacinação da população carcerária do Paraná, assim como dos funcionários das unidades prisionais do Estado, após a confirmação de um surto de Covid-19 na PEL I no início da semana.

De acordo com o coordenador regional do Departamento Penitenciário Estadual (Depen), Reginaldo Peixoto, 35 presos foram contaminados pelo novo coronavírus na PEL I, 16 estão em tratamento, um permanece internado na enfermaria do Hospital Universitário e 19 já estão curados. Os doentes estão sendo tratados nas próprias celas. Hoje a PEL I tem, em média, 730 presos.

Três servidores também testaram positivo para o Covid-19 e 57 detentos colheram exames e aguardam resultados. “Temos em torno de 750 servidores na região, 70% já foram vacinados”, diz Peixoto, lembrando que já foi liberada a vacinação para todos os servidores acima de 40 anos: “Eles estão agendando e vacinando”.

Um comunicado do setor de Serviço Social da PEL I informou, no início da semana, que as famílias de presos com Covid-19 já haviam sido notificadas por contato eletrônico. “Todos estão sendo monitorados pelo setor de saúde da unidade. Caso necessário serão encaminhados para atendimento. Obedecendo ao protocolo de saúde, toda a galeria cumprirá isolamento, ou seja, as visitas virtuais previstas para o próximo final de semana foram canceladas”, diz o comunicado.

De acordo com a esposa de um detento da PEL I que não quis se identificar, a manifestação desta sexta-feira será pacífica e não pretende provocar aglomeração. “Eles erraram, já foram julgados e estão pagando. Nós estamos falando de vidas e a vacina é direito de todos porque o surto está lá dentro. Primeiro começou no Creslon depois a PEL II e agora a PEL I”, declara a representante dos familiares, citando que as visitas aos apenados estão proibidas na unidade.

“A gente não está buscando saber como esse vírus entrou lá, a gente está querendo cobrar do governo a vacinação dos presos e dos agentes também, porque não adianta vacinar só os presos ou só os agentes porque podem ocorrer surtos do mesmo jeito. A gente está cobrando a vacinação de todos”, reforça.

Em dezembro de 2020, a PEL II passou por um período de quarentena após 49 detentos e 14 servidores terem testado positivo para a Covid-19. O surto da PEL II foi o segundo registrado em unidades prisionais de Londrina. O primeiro ocorreu no Centro de Reintegração Social (Creslon), que abriga presos do regime semiaberto, em setembro, quando 125 pessoas contraíram o novo coronavírus.

Uma resolução publicada no Diário Oficial da União em 14 de fevereiro de 2021 prevê a priorização da Vacinação dos Servidores do Sistema Prisional e Pessoas Privadas de Liberdade no Plano Nacional de Operacionalização da Vacina Contra a Covid-19. Segundo dados do Depen, 42.517 presos foram contaminados pela Covid-19 desde março de 2020 até janeiro de 2021 e 133 presos vieram a óbito. Em comparação com a população brasileira, a taxa de infecção foi 47% maior e a letalidade 87% menor.

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