Mostra de filmes debate as revoluções francesas

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Organizada pela Aliança Francesa Brasil, exibição será gratuita na plataforma do Sesc Digital até 16 de julho

Da redação

Começa hoje e vai até 16 de julho a mostra “Curta em Francês”, organizada pela Aliança Francesa Brasil em parceria com o Sesc São Paulo e o apoio da Embaixada da França no Brasil. Este ano, a mostra terá como tema “Les temps des cerises” ou o “O tempo das cerejas”, em português, que traz uma série de 12 curta-metragens sobre revoluções com abordagens diversas. Os filmes serão exibidos gratuitamente na plataforma SESC Digital, pelo site https://sesc.digital/curtaemfrances.

O título da série “Le temps des cerises” é uma referência à canção composta por Jean Baptiste Clément e Antoine Renard em 1866 e que se tornou uma canção revolucionária ligada à Comuna de Paris, revolta francesa que completa 150 anos em 2021. A programação é uma celebração das revoluções históricas francesas – como a Comuna, la Fête des Tuiles e a Revolução Francesa, celebrada no dia 14 de julho – além das revoltas e insurreições que observamos mais recentemente, como as manifestações de Maio de 68 e o movimento dos “Gilets Jaunes” visto nos últimos anos.

A mostra apresenta uma seleção de curtas-metragens que abordam a temática da revolta e insurreição seja com uma abordagem mais clássica ou mais íntima, trazendo instâncias de revolta no ambiente familiar ou mesmo animal, sem deixar de lado o já famoso espírito revolucionário francês.

Destaque para o documentário L’Histoire de la Révolution (França-2019), de Maxime Martinot, que em 2020 participou do Festival de Curtas-Metragens de Pantin, na França,na seção Panorama. O filme é um ensaio que explora a polissemia e a reversibilidade da palavra “revolução”, bem como as imagens dela decorrentes, movendo-se no mapa das lutas: seu luto, suas glórias, seus traços, entrelaçados na atualidade.

Também destaque da mostra, o curta-metragem “Rasta”, de 2019, de Samir Benchikh, conta a história de um jovem rasta da Costa do Marfim traumatizado pelo conflito que destrói seu país. Assombrado por um passado que esconde, ele inicia uma jornada pela zona de guerra dominada pela rebelião, em busca de um misterioso miliciano. O filme foi apresentado no “Regards d’Afrique” do 42º Festival Internacional de Curtas de Clermont-Ferrand.

Para os amantes da animação, a indicação é o curta-metragem “La Révolution des Crabes”, de 2004. Premiado no Festival Internacional de Curtas de Clermont-Ferrand, Festival Internacional de Ottawa e no Brooklyn International Film Festival, o curta apresenta a história dos caranguejos do estuário da Gironda. Eles têm uma grave desvantagem: não podem mudar de direção e estão condenados a caminhar na mesma linha reta toda a vida. Como eles vivem com este trágico destino? Com classificação livre para todos os públicos, o curta é uma boa pedida para abordar a temática com jovens e adultos.

Estão disponíveis ainda na programação o filme “Sphinx”, de 2020, que conta a história de Édipo, que chega a Tebas e acha uma cidade devastada, onde os jovens homens são comidos cada um por uma besta que os cidadãos chamam de Esfinge. Ele decide libertar os habitantes desse flagelo instalado no teto de um prédio.

A animação “L’heure de l’ours”, de 2019, fala de uma horda gritante de crianças, que dançam sozinhas, chamando ursos selvagens, nas cinzas de casas que foram incendiadas. Já a animação “Justice”, de 2021, conta a história do antigo chefe da Gestapo, Klaus Barbie, que é preso em 1983. Robert Batinder fala do sentimento ambíguo que tem quando se dá conta que abolindo a pena de morte dois anos atrás, ele acaba de salvar a vida do homem que mandou seu pai no campo de exterminação de Sobibor.

O documentário “Madame Baurès”, de 2019, é uma homenagem à Raymonde Baurès, que foi morta antes de poder contar sua história frente à câmera. Em “Journée noire”, filme senegalês de 2019, Ngor, 23 anos, estudante inteligente na faculdade de direito, morre ao lutar contra as forças policiais depois de juntar-se a seus amigos na linha de frente.

“Mondo Domino”, de 2021, é uma sátira cartoon contemporânea. Com o barulho ensurdecedor das motosserras, os lenhadores zumbem alegremente enquanto cortam árvores destinadas a serem usadas como pano de fundo para um desfile de moda.

“Salem”, de 2020, é uma ficção que conta sobre um fim de semana familiar. Os homens da família são felizes consigo mesmos e as mulheres são eficientes. Não há motivo para mudar a ordem das coisas. Entretanto, um dos tios da família tem uma nova esposa que pode causar problemas.

“On ira à Neuilly inch’allah”, de 2015, é sobre a manifestação de jovens funcionários da Vélib (empresa parisiense de aluguel de bicicletas) que aprendem a lutar e tentam se organizar. É a história de uma disputa entre imagem e som. Já a sinopse do documentário “Tu seras un ultra”, de 2020, resume o filme sem explicar muito: “Tudo começou no estádio Gerland, meu pai estava lá, no número 23 E, na curva sul. Meu pai, esse ultra, que sempre me disse: Seja duro sem nunca ficar com raiva. E então você será um ultra, meu filho. Você será um ultra”.

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