Ameaçada de morte, Raffaela teve de sair de Londrina

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Mulher trans estudante da UEL é vítima de ataques violentos feitos por conhecido

Foto: Isaac Fontana

A mulher trans e estudante de geografia da UEL Raffaela Rocha teve de deixar Londrina há cerca de 10 dias. Ela havia recebido ameaças de estupro e morte feitas por um conhecido do bairro onde mora na zona norte. E só pretende voltar à cidade quando a Justiça conceder-lhe alguma medida protetiva em relação ao agressor. A jovem espera que o rapaz, que trabalha como tatuador, seja obrigado a manter-se ao menos a 500 metros de distância em relação a ela.

Antes de deixar a cidade, Raffaela, que integra a Frente Trans Londrina, foi à 10ª Subdivisão Policial e preencheu boletim de ocorrência. “Se algo ocorrer comigo, todos já sabem quem foi o autor”, afirma ela em entrevista à Rede Lume.

As ameaças feitas à ativista foram por meio do Instagram. Ela guarda todas as provas digitais. Tudo começou com uma mensagem enviada pelo agressor dizendo que queria transar com Raffaela. “Disse que tinha acabado de me ver na rua e que queria comer esse ‘traveco’”, conta.

A jovem só conhece o rapaz pela internet. Ambos têm tatuadores em comum como amigos nas redes sociais. Depois da primeira “cantada” negada, o agressor mandou áudios dizendo que iria pegar a estudante à força.

A agressividade dos ataques se intensificou depois que a jovem expôs publicamente as ameaças feitas pelo tatuador. “Depois disso, ele chegou a dizer que o Instagram dele tinha sido hackeado”, conta. Por essa versão, o agressor seria outra pessoa que havia invadido a rede social do rapaz. “Então, eu propus que ele fizesse uma manifestação pública sobre isso. Ele se negou dizendo que iria ficar com a imagem queimada.”

Durante as discussões pelo Instagram, o agressor propôs fazer uma tatuagem de graça em Raffaela como uma espécie de reparação pelo “mal entendido”. “Você acha que vou entrar num estúdio de uma pessoa que me assediou?”, questiona. Em outro áudio, o rapaz propôs resolver o problema “na faca, na bala ou no soco”.

TRISTEZA

Três dias após deixar Londrina, Raffaela recebeu a notícia da morte da amiga Natasha Galvão, assassinada enquanto fazia programa na Avenida Leste-Oeste, no centro da cidade. “Quando uma mulher trans morre, nosso coração também sangra”, disse ela à Lume. Clique aqui e leia mais.

Parte da renda de Raffaela também vem de programas feitos naquela avenida. Além de comprometer sua subsistência, a saída de Londrina às pressas fez com que a jovem deixasse as pré-conferências de Assistência Social das quais estava participando. Por isso, não poderá mais se candidatar como conselheira para atuar junto à população LGTBTQIA+ em situação de rua como planejava.

“Também tive de mudar o cronograma das minhas aulas de residência pedagógica na UEL. Isso sem contar que estou sendo obrigada a ficar sem o convívio com minha família, minhas sobrinhas, minha cachorra”, relata.

Raffaela é uma sobrevivente. Em 2019, ela passou duas semanas em coma devido a uma situação de violência vivida na Leste-Oeste. “Três homens tentaram me estuprar. Ainda bem que, ao fugir deles, fui atropelada e a pessoa me socorreu. Acordei no HU duas semanas depois com a primeria e a segunda vértebras fraturadas. Quase fiquei tetraplégica.”

Amigos da Raffaela Rocha estão realizando uma vaquinha virtual para ajudá-la a manter-se fora de Londrina enquanto for necessário para sua segurança. Quem quiser ajudar pode fazer pix pelo e-mail raffaelap.rocha@gmail.com .

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