Campanha arrecada absorventes para mulheres em vulnerabilidade

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Ação da CUFA-PR e do coletivo Igualdade Menstrual recebe doações até 14 de agosto em Londrina e Maringá

Cecília França

A Central Única das Favelas-Paraná (CUFA-PR) e o Coletivo Igualdade Menstrual estão arrecadando absorventes para doar a mulheres em situação de vulnerabilidade em Londrina e Maringá. O objetivo é conseguir cerca de 6.600 unidades, o suficiente para suprir a necessidade dessas mulheres por seis meses. A campanha também inclui a doação de outros itens, como calcinhas, shampoos, condicionadores, escovas e pastas de dentes. As doações podem ser feitas até 14 de agosto (veja pontos abaixo).

A ideia da ação surgiu em uma viagem recente de Lua Gomes, representante da CUFA em Londrina, para Curitiba, quando ela conheceu as integrantes do Coletivo Igualdade Menstrual. Para a ativista, a realização da campanha no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana (25 de julho) é simbólica. Ela diz que a pobreza menstrual é uma realidade que precisa ser encarada, pois impacta em todos os setores da vida das mulheres. E exemplifica.

“A Pérola é uma mulher de 35 anos que está desempregada. Então, para conseguir sustentar sua família ela faz freelancer. E ela arrumou um freelancer pra fazer que ela tinha que sair de casa 7 da manhã e ela acorda menstruada. Ela não tem absorvente. Num segundo caso, a Turmalina é uma menina de 11 anos que tem um encontro com um grupo de jovens da igreja. Só que ela está menstruada e não tem absorvente. Isso mostra o quanto a pobreza menstrual impacta na vida social, profissional e na questão econômica dessas mulheres”.

Lua acrescenta que campanhas como essa são tão importantes que nem precisariam existir, já que o direito a esses itens essenciais deveria ser garantido por políticas públicas a todas as pessoas que menstruam. No entanto, não é o que acontece na prática e o modelo social patriarcal apenas reforça opressões que dificultam a relação das mulheres com o próprio corpo.

“A gente vive numa sociedade bastante conservadora, de determinados tabus, que faz com que seja motivo de vergonha a gente falar de um fator biológico que acontece em todos os corpos femininos”, ressalta. “Isso faz com que as mulheres sejam ainda mais limitadas de existirem como indivíduos biologicamente ativos e que menstruam”.

O fato de uma questão fisiológica ainda ser tabu impacta na ausência de políticas públicas que promovam o conhecimento do sistema reprodutivo feminino e garantam a possibilidade do autocuidado e higiene necessários. Um reflexo é a tributação do absorvente, que tem incidência média de 25% de impostos, similar a de produtos supérfluos.

O coletivo Igualdade Menstrual nasceu em 2020, em Curitiba, para mudar essa lógica por meio de diferentes eixos de atuação: doações de absorventes e coletores menstruais, ações educativas para mulheres e pressão por políticas públicas que combatam a pobreza menstrual.

“É muito difícil para a sociedade entender que o absorvente é um item básico de higiene, uma necessidade. Algo que deveria ser obrigatoriamente e gratuitamente fornecido pelo Estado tanto quanto qualquer outro item básico que uma pessoa precisa para viver. Essa importância, essa urgência, é que o Poder Público e a população em geral não entendem. Por isso os Projetos de Lei acerca do assunto acabam sempre passando pelo Poder Legislativo, mas empacando no Poder Executivo.”, declaram Adriana Bukowski e Andressa do Carmo, do coletivo.

O desconhecimento das mulheres sobre o próprio corpo é um ponto que impacta as ativistas e, de acordo com elas, afeta todas as classes sociais e não apenas aquelas sem recursos para a compra de absorventes. Fruto de uma sociedade patriarcal que condena corpos que menstruam, essa visão reflete na dificuldade em garantir políticas públicas efetivas.

“Quando um assunto é discriminado, escondido, evitado, o preconceito acaba virando senso comum. Uma das consequências desse estigma é a falta de pesquisas sobre o assunto. É muito difícil encontrar dados sobre a pobreza menstrual no nosso estado, por exemplo. Por isso estamos realizando uma pesquisa independente.”

Sobre a campanha em Londrina, Andressa e Adriana ressaltam o curto período de arrecadação e pedem apoio. “Pedimos, mais uma vez, a ajuda e a movimentação de todos para conseguirmos arrecadar pelo menos 6.600 pacotes de absorventes. Se conseguirmos mais, ficaremos ainda mais contentes”.

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