Projeto Safety, da UEL, é destaque no Prêmio Inova Saúde Paraná

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Relatos produzidos desde 2020 foram premiados nas categorias Ciência, Tecnologia, Comunicação e Inovação em Saúde e Promoção, Prevenção e Vigilância em Saúde

Mariana Guerin

O Projeto Safety, que reúne cerca de 50 integrantes, entre alunos e professores da graduação e pós-graduação dos cursos de Enfermagem, Farmácia e Medicina do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi premiado, no último sábado (10), em duas categorias do 6° Prêmio Inova Saúde Paraná, dentro da 7 Mostra Paranaense de Pesquisa e de Relatos de Experiências em Saúde, promovidos pelo Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Inesco) do Paraná.

A iniciativa, que nasceu em 2020, logo no início da pandemia da covid-19 no Brasil, foi inscrita nas categorias Ciência, Tecnologia, Comunicação e Inovação em Saúde e Promoção, Prevenção e Vigilância em Saúde. O objetivo do projeto é sistematizar as melhores evidências científicas sobre recomendações de proteção e segurança e veicular informação útil e científica, por meio de cartilhas, guias, vídeos e podcasts, para orientar profissionais de saúde e comunidade em geral.

Segundo a coordenadora do Safety, Marselle Nobre de Carvalho, docente do Departamento de Saúde Coletiva da UEL, mais de 300 trabalhos foram inscritos na Mostra e os relatos da universidade londrinense ficaram entre os 20 melhores do prêmio. “É o reconhecimento de mais de um ano de trabalho. Um trabalho de formiguinha, que produz informação correta visando o combate às fake news”, comenta a professora, destacando que o prêmio dá visibilidade ao projeto, já que o Inesco é patrocinado por inúmeras entidades públicas e privadas.

“Durante a nossa apresentação, a única ‘crítica’ que recebemos foi de uma diretora da Santa Casa de Londrina que disse que nós deveríamos nos tornar mais conhecidos do público”, conta a coordenadora, explicando que a alta demanda de produção dos artigos pelos alunos compromete a divulgação em massa do trabalho realizado pelo grupo, que conta com site e página nas redes sociais.

Marselle explica que o Projeto Safety atua em duas grandes áreas. A primeira consiste na disseminação do conhecimento científico, com relatórios técnicos para gestores e profissionais dos serviços de saúde, em linguagem técnica. A segunda frente trata da divulgação científica e da popularização da ciência, que visa atingir a população em geral e seus segmentos sociais. Por meio da página @projetosafety, no Instagram, a equipe do Safety espera atingir o público mais jovem.

“Quando o projeto surgiu, realizamos muitas lives e debates, estivemos em várias mídias, mas nossa divulgação foi arrefecendo conforme aumentava a oferta de conteúdo sobre a pandemia, então nos concentramos em produzir os boletins informativos”, completa Marselle, lembrando que o grupo já produziu 29 boletins semanais em 2020 e 22 em 2021.

Os boletins são publicados toda segunda-feira, com informações epidemiológicas da semana anterior. “É um olhar no retrovisor da pandemia, mas que reúne dados de Londrina e do Brasil”, reforça a professora. Entre os dados produzidos pelo projeto estão as curvas de avanço da doença e da vacinação, bem como informações sobre a eficiência dos diferentes tipos de máscaras, como usá-las, como lavar corretamente as mãos, a importância do distanciamento social, entre outros protocolos que auxiliam na prevenção ao coronavírus.

Conforme ela, o projeto teve grande impacto sobre os estudantes que produzem e discutem diferentes temas enquanto preparam os materiais. Marselle destaca ainda a mudança no comportamento das famílias dos alunos, que passaram a curtir as publicações nas redes sociais e a compartilhar as informações com grupos de vizinhos, amigos e familiares.

“Eles tomaram mais consciência sobre a doença, sobre o vírus, sobre a pandemia e começaram a dividir seus medos. Muitos alunos tiveram covid ou familiares que tiveram a doença. Alguns estudantes perderam familiares próximos e estar no Safety os ajudou a passar pelo momento de luto”, diz a coordenadora.

Para ela, ter informação clara e correta é importante neste momento pandêmico. “Ao produzir os textos, os alunos passaram a refletir sobre a doença e nossos boletins se tornaram sensibilizadores da pandemia. Nós já discutíamos a xenofobia praticada com os nomes dados às variantes do coronavírus antes mesmo da Organização Mundial da Saúde falar nisso, por exemplo. Nós já usávamos as letras do alfabeto grego quando íamos nos referir às variantes, coisa que a mídia tradicional ainda não faz direito.”

Formado por voluntários, o Projeto Safety se consolidou com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UEL. “Não temos recursos financeiros, mas temos apoio estrutural da universidade, que desburocratizou várias questões organizacionais, possibilitando a vantagem de oferecermos cursos com certificado sem custo ao participante, por exemplo”, cita Marselle.

Ela reitera que o combate às fake news está nos pilares do projeto, que trabalha exclusivamente com conteúdos de produção científica. “As fake news são atrativas, chegam com velocidade e de diversas formas, enquanto nós precisamos checar as fontes e a veracidade das informações antes de publicar qualquer coisa. Checar e dar uma roupagem agradável leva tempo, por isso combater as notícias falsas é tão difícil. Muitas vezes, antes de desmentirmos algo, a fake news já foi consumida, digerida e eliminada”, compara.

“Combater o que as pessoas querem ouvir, mesmo sendo mentira, é complicado. A mentira agradável é melhor que a verdade que incomoda”, avalia a coordenadora, lembrando que muitas vezes a notícia verdadeira nem é ruim. “Só não é o que a pessoa quer ouvir. Sempre vai ter alguém contrariando porque a mentira é cômoda. Vivemos numa sociedade individualista, egoísta e imediatista e não acho que vamos sair melhores dessa pandemia”, opina.

Para Marselle, a pandemia aprofundou ainda mais as desigualdades sociais. “Chegamos na pandemia pelo consumismo, pela exploração desenfreada de recursos, que faz parte desse modelo de sociedade, ao custo de vidas, ao custo ambiental. Teremos a mesma sociedade no pós-pandemia, formada pelos que sobreviveram e pelos que viveram.”

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