Racismo: Celsinho, do LEC, deve acionar a justiça contra radialistas

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Jogador do Londrina foi alvo de comentários racistas durante partida no último sábado; narradores foram demitidos

Cecília França

Foto em destaque: O jogador Celsinho em partida de novembro de 2020. Gustavo Oliveira/LEC

O jogador Celsinho, meia do Londrina Esporte Clube (LEC), deve processar os radialistas que proferiram comentários racistas contra ele durante a partida contra o Goiás, no último sábado. Narrador e repórter referiram-se ao cabelo do jogador como “bandeira de feijão” e “negócio imundo”. Celsinho se reuniu na tarde de ontem com a diretoria do clube para avaliar as medidas cabíveis.

Segundo a assessoria do LEC, estão sendo avaliados processos tanto por parte do jogador quanto por parte do clube. Celsinho encontra-se concentrado para a partida de hoje contra o Confiança, às 19h, e só vai avaliar pedidos de entrevista a partir de amanhã. O narrador Romes Xavier e o repórter e comentarista Vinícius Silva foram afastados da Rádio Bandeirantes Goiânia.

O caso chama a atenção pela falta de pudores dos radialistas em fazerem os comentários racistas. Fiama Heloísa, presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR), diz que a entidade repudia veemente o ocorrido e ressalta que, neste caso, não há dúvidas sobre o crime. Ela acredita ser muito importante que o jogador leve adiante a denúncia.

“Uma das coisas que dificultam a gente levar adiante processos no Brasil é a questão do racismo ser velado, e ali isso não acontece, é escancarado mesmo. É uma coisa muito forte, pejorativa”, diz.

Entenda o caso


Durante a partida contra o Goiás, após o jogador cair em campo, Romes Xavier comentou: “Tomou uma pancada no tornozelo, tá levantando, mas o cabelo dele deve pesar demais, né, Vinícius?”. O comentarista Vinícius Silva responde, então, que o cabelo de Celsinho “parece mais uma bandeira de feijão”. “Não é porque eu estou perdendo os cabelos que eu vou achar um negócio imundo desses bonito”, afirma.
Na sequência, ouve-se risadas.

Denunciar é essencial, mas não suficiente para combater o racismo, pondera Fiama, que é jornalista. Para ela, pessoas negras precisam ocupar espaços de decisões e de influência, como o Judiciário e a mídia, para que medidas se tornem mais efetivas.

“A gente não vê essas discussões nos meios de comunicação, a gente fala de negro, de pessoa preta, em 20 de novembro ou, infelizmente, em momentos como esse. Mas a gente não tem profissionais negros. Onde estão os jornalistas negros, os jornalistas esportivos negros?”, questiona.

“A Justiça muitas vezes diminui a importância. Precisamos de um Judiciário que entenda o que é o racismo. Por isso há necessidade que a gente tenha pessoas negras nesses espaços de decisão e de poder, porque é muito difícil falar de algo que a gente não entende, e até reproduz sem saber”, alerta.

Na opinião de Fiama, o caso Celsinho é o reflexo de um tempo em que passamos a achar que preconceitos são apenas opiniões, quando não são. “É um crime, é inadmissível. A gente vai continuar denunciando e evidenciando”, finaliza.

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