Projeto da UEL é vitrine para pequenas empreendedoras

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“Mulheres Fazem, Mulheres Vendem” agrega site e redes sociais para potencializar negócios e garantir renda às famílias periféricas

Mariana Guerin

Foi ao ar no dia 12 de julho o site do projeto “Mulheres Fazem, Mulheres Vendem”, idealizado por professoras e alunas dos cursos de Ciências Sociais, Serviço Social, Psicologia, Enfermagem e Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A ideia nasce em meio às dificuldades vividas pelas comunidades periféricas por conta da pandemia, que agravou a crise econômica do País, custando o emprego de muitas trabalhadoras, que viram a necessidade de empreender para gerar renda para as suas famílias.

O projeto da UEL quer ajudar essas pequenas empresárias que ainda têm dificuldade em divulgar seus trabalhos por conta da exclusão digital, que atinge mais fortemente mulheres mais velhas das camadas populares, tornando-se uma barreira para o sucesso dos negócios. No site e nas redes sociais, cada participante ganha um espaço para contar sua história e expor seus produtos. Para participar, basta acessar a página e preencher um formulário, e as organizadoras finalizam o cadastro.

Segundo a professora do Departamento de Saúde Coletiva da UEL Marselle Nobre de Carvalho, uma das coordenadoras da iniciativa, a ideia de reunir diferentes mulheres empreendedoras em Londrina surgiu em dezembro de 2020. “Eu estava observando minha vizinhança, da área da minha casa, quando pensei que seria legal engajar mulheres para o enfrentamento da pandemia. Na hora, pensei em algo como ‘Mulheres contra o coronavírus’”, conta.

Foi aí que ela decidiu contatar colegas da universidade e mulheres que são referência nas áreas de economia solidária e empreendedorismo para pensarem juntas como colocar a ideia em prática. “Primeiro busquei uma amiga que atua na área de políticas públicas na Bahia. Ela gostou da ideia, mas reforçou que para obter recursos, inclusive internacionais, disponibilizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), era preciso formalizar um projeto. Então busquei ajuda local, nos departamentos da UEL, na secretaria municipal de políticas públicas para mulheres e nas lideranças da economia solidária e começamos a nos reunir com frequência para formatar o projeto.”

Na época, lembra Marselle, a professora Silvana Mariano, do Departamento de Ciências Sociais da UEL e que hoje também é uma das coordenadoras do projeto, levantou um questionamento importante: como engajar mulheres se as famílias estão passando fome? “Foi então que decidimos apoiar pequenos negócios. Nossa ideia não é obter nenhum dinheiro com o site, mas dar visibilidade a mulheres periféricas”, justifica a professora.

Além do site www.mulheresvendem.net, o projeto conta com as páginas no Instagram (@mulherefmv) e no Facebook (Facebook/mulheresfmv). Segundo as coordenadoras, a iniciativa já atende nove negócios, que envolvem 13 mulheres. Entre os empreendimentos, estão a produção e venda de roupas, enxoval infantil, decoração, artesanato e produtos de beleza.

Em uma segunda fase, as integrantes do projeto pretendem organizar oficinas e treinamentos para que as empresárias possam aprender técnicas e ferramentas de mídia social. “No futuro, queremos que o projeto estimule o autocuidado nas participantes e o cuidado com a comunidade em que estão inseridas, promovendo a saúde integral das mulheres. Mas, primeiro, precisamos aumentar o giro de negócios”, prevê Marselle.

Para promover o site, elas contam ainda com o selo “Empresa Amiga”, voltado para parcerias com empresários que queiram apoiar as pequenas empreendedoras, seja divulgando o projeto ou até mesmo revendendo produtos. “É importante reforçar que não queremos explorar a imagem dessas mulheres. Não é caridade, é mentoria”, reforça a professora, que já apresentou o projeto para a Associação Comercial de Industrial de Londrina (Acil) e para a organização Mulheres do Brasil, de abrangência nacional.

Expectativa

Casada e mãe de um menino, Franciana Maria Pontes, 42 anos, produz bolsas e absorventes ecológicos a partir do reaproveitamento de retalhos de tecidos. Ela mora no Assentamento Eli Vive 1, zona rural de Lerroville, distrito de Londrina, e conheceu o projeto da UEL por meio de uma amiga, que é assistente social. Ela ainda não percebeu impactos nas vendas, mas o número de seguidores em suas redes sociais já aumentou desde o lançamento do site, há seis dias. “O lançamento do projeto fez com que a divulgação do meu trabalho alcançasse mais pessoas e tenho mais contatos e visualizações em minhas redes sociais, inclusive recebi algumas encomendas extras essa semana somente por causa da divulgação do meu trabalho no site”, comemora.

Fotos: Arquivo Pessoal

“Minha expectativa é alcançar o maior número de pessoas do público que gosta de trabalhos com cunho de sustentabilidade, pois utilizo tecidos que, geralmente, são jogados fora pelas empresas. É por meio de doação que faço meu trabalho”, reforça a artesã. Para os interessados em doar, seus contatos estão no site do projeto.

Um pedido da bisneta Laura por um vestido de festa fez nascer na aposentada Vera Lúcia de Aquino, 67 anos, moradora do Conjunto do Café, a vontade de ter um negócio que complementasse sua renda. Nasceu assim a Tamogihe, que também expõe seu trabalho no site “Mulheres Fazem, Mulheres Vendem”.

“Conheci o projeto por meio da Secretaria Municipal da Mulher e achei muito legal a ideia. Eu faço vestido infantil. As mães gostam bastante porque eu procuro trabalhar com produto de qualidade, para as crianças não terem alergia, e eu procuro fazer um acabamento bem legal nos meus vestidos porque eu tive uma filha, três netas e duas bisnetas, então eu gosto muito de fazer vestidos”, brinca Vera, que também produz babadores e tiaras.

“Antes da pandemia, a gente estava vendendo bem, principalmente no final do ano. Vestido não vendo muito no inverno então procuro alternativas. Fui fazer tiaras e agora estou fazendo gorros de tricô e crochê, que vendem bem no frio”, comenta a aposentada, que já fez propaganda do projeto para amigas artesãs. “Minha expectativa é que as pessoas conheçam o site e que possam comprar sem precisar sair de casa. Posso fazer uma chamada de vídeo, na qual a mãe pode tirar as medidas da criança para eu poder fazer o vestido”, sugere Vera. A partir de sua exposição no site, ela espera conhecer outras pessoas e “espalhar essa boa notícia” por Londrina.

Apoiam a iniciativa representantes do poder público como o Centro de Economia Solidária, Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres e as Secretarias de Política para as Mulheres e de Assistência Social de Londrina.

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