Medo!

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O que é o medo?
Apenas medo
Cruel e irracional tomando conta de você
Te deixando sem ação.

Encarar perspectivas
E ter medo delas
Se encontrar quase como uma criança
Querendo chorar infindavelmente.

Encarar o medo
E ele te olhar
Encarar o cerne de sua alma
E extrair de lá tudo que ele puder.

O medo de perder tudo
Restar sozinho nesse mundo
E ter de encarar a dura realidade
Sem algo onde se apoiar.

Muitos diriam que não há motivo
Mas eu sei que há
É só olhar
Não preciso procurar muito
Estão por todo lado.

E o medo me consome
Aos poucos, mas consome
Não mais me impede de agir
Mas me faz revisitar cada passo
Milhares e milhares de vezes
Procurando um erro inexistente.

Eu converso com o medo
Durante o sono que ele me rouba
Tento estabelecer limites
Convencê-lo de algo irracional
Mas não sou um bom negociador
Ele sempre me vence no final.

Mas assim seguimos
Eu e o medo
Lado a lado
Embora só eu seja capaz de nos distinguir
Ele continua aqui
E não há o que eu possa fazer
Exceto ouvir e me questionar eternamente:
E se?

Essa semana minha mãe recebeu o diagnóstico de Covid, passa bem, mas é inevitável que todos esses pensamentos me rondem, afinal, não faltam motivos. Existem como mínimo 545 mil motivos que me fazem temer me tornar mais uma estatística, e assim, o medo me consome…

*Antonio Rodríguez, 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

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