Fila por cirurgias eletivas no HU supera 4,7 mil pessoas na pandemia

Fila por cirurgias eletivas no HU supera 4,7 mil pessoas na pandemia

Publicado por

Pacientes do HU têm sido acompanhados no ambulatório de especialidades e em casos de sintomas agudos devem procurar o Pronto Socorro

Mariana Guerin

Em junho, o governo do Paraná aprovou uma resolução que permitia a retomada das cirurgias eletivas em hospitais públicos e privados no Estado a partir de 12 de julho, como no Hospital Universitário (HU) de Londrina. Os procedimentos estavam suspensos por conta da pandemia, para ajudar a controlar a utilização de medicamentos do chamado kit de intubação, no período em que a ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) era alto.

Atualmente, o montante de pacientes do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) aguardando por cirurgias eletivas soma 4.785 pessoas. Em Londrina, o HU atende cerca de 1,6 milhão de pessoas de 96 municípios da Macrorregional Norte da 17 Regional de Saúde e ocupa posição estratégica, com 38 habilitações junto ao Ministério da Saúde em média e alta complexidade. Em 31 de janeiro de 2020, foi designado pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) como hospital de referência para o atendimento aos casos suspeitos e confirmados de covid-19.

Leia mais:

Hospital do Câncer alerta sobre abandono de tratamentos na quarentena

Atenção básica em Londrina fica em segundo plano na pandemia

Hu melhora infraestrutura para enfrentar pandemia

Segundo a enfermeira Dagmar Willamowius Vituri, coordenadora do Núcleo Interno de Regulação de Leitos do HU, por conta da pandemia, o hospital reorganizou processos de trabalho e infraestrutura para incorporar às atividades assistenciais contratualizadas o atendimento seguro e qualificado para os casos suspeitos e confirmados da covid-19.

“O acesso aos serviços prestados pelo hospital é regulado pela Central de Regulação de Leitos e Central de Regulação de Urgência e Emergência, que organizam a demanda de acordo com a oferta dos serviços, tendo em vista garantir à população o direito constitucional de acesso universal, equânime e integral à saúde”, justifica Dagmar. Ela reforça que o atendimento aos casos de urgência e emergência no HU tem se mantido integral durante a pandemia.

“Para tanto, existem dois fluxos institucionalizados e independentes, os quais visam garantir o atendimento seguro aos pacientes com covid, bem como para os pacientes com problemas de saúde de outras especialidades clínicas e cirúrgicas para as quais o HU é habilitado.”

Cirurgias eletivas estavam suspensas

No que se refere às cirurgias eletivas, elas estavam suspensas até 11 de julho conforme determinação da Sesa. “A partir de 12 de julho, as cirurgias eletivas foram autorizadas, com a ressalva de que a manutenção desta autorização está condicionada à situação epidemiológica da covid-19 e à taxa de ocupação de leitos no Estado”, ressalta Dagmar.

Ela explica que durante o período de restrição, o HU manteve o funcionamento da infraestrutura de centro cirúrgico, para atender pacientes sem covid oriundos da urgência e emergência. “Nos períodos mais críticos da pandemia, enquanto as taxas de ocupação dos leitos de UTI para covid se mantiveram acima de 100%, o centro cirúrgico do HU também foi utilizado para acomodar pacientes em pós-operatório imediato, que necessitavam de leitos de terapia intensiva na instituição.”

“Esta estratégia foi utilizada enquanto durou o esgotamento dos leitos de UTI disponíveis e, tão logo a situação epidemiológica da covid-19 permitiu, o centro cirúrgico retornou à sua característica original, conforme estabelecido no plano de contingência para enfrentamento à covid-19 do HU e no plano de contingência do Paraná covid-19”, reitera a enfermeira.

Segundo ela, os pacientes que aguardam por cirurgias eletivas no Hospital Universitário estão orientados a aguardar o momento oportuno e a comparecer às consultas ambulatoriais de acompanhamento regular. “Em casos de surgimento de sinais e sintomas agudos, os pacientes estão orientados a procurarem por atendimento no Pronto Socorro do HU.”

Dagmar explica que os pacientes que aguardam por esses procedimentos têm sido acompanhados no Ambulatório de Especialidades do HU e são monitorados quanto às suas condições de saúde. “Ao se detectar alteração no seu quadro que indique a necessidade de breve abordagem cirúrgica, a programação da cirurgia é realizada.”

A fila de espera por cirurgias eletivas no HU se assemelha em números às filas de cirurgias eletivas dos demais hospitais terciários de Londrina. “Esta fila é gerenciada segundo as diversas especialidades para as quais o hospital possui habilitação. Sendo assim, o total de pacientes aguardando por cirurgias eletivas no HU tem relação com a existência de outros serviços igualmente habilitados na região e tem relação com a capacidade de infraestrutura física, de recursos materiais, de equipamentos e humanos disponíveis para atender à demanda crescente por cuidados à saúde”, detalha Dagmar.

Deixe uma resposta