‘Live’ relembra história de Matheus e pede justiça em julgamento

Publicado por

Ex-guarda municipal acusado de matar o jovem, em 2018, vai a júri popular na próxima terça-feira

Cecília França, com assessoria

Coletivos de movimentos sociais juntamente com a família de Matheus Evangelista realizam nesta quarta-feira (28) uma live para reforçar o pedido de “Justiça por Matheus!”. O evento acontece menos de uma semana antes do julgamento do acusado pela morte do jovem, o ex-guarda municipal Fernando Ferreira das Neves, marcado para a próxima terça-feira (03).

A transmissão será mediada por Nicoly Jacinto, microempreendedora e poetisa, e terá a participação de Fiama Heloisa, presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR), Larissa Ferraz, advogada criminalista, e Jeniffer Evangelista, irmã de Matheus. A transmissão começa às 19h pelo canal do CMPIR Londrina no Youtube.

Para a família de Matheus, o evento é uma forma de reforçar o pedido por justiça para o caso e também de demonstrar descontentamento com a demora do júri, que já foi adiado quatro vezes.

“Tudo que queremos e pedimos é que a justiça seja feita e que não haja mais demora do júri. Toda vez que há uma data marcada, cria-se uma expectativa, uma esperança, e quando somos informados que foi desmarcado vem a indignação. Chega de demora! São três anos sem Matheus, três anos sem justiça, três
anos sem respostas”, lamenta Jeniffer.

Matheus Evangelista tinha 18 anos quando foi morto com um tiro durante abordagem da Guarda Municipal de Londrina, em 11 março de 2018. O crime aconteceu no bairro Jerônimo Nogueira, Zona Norte, e testemunhas relatam abuso de poder dos agentes públicos.

Fernando Neves permaneceu preso de abril do mesmo ano até outubro de 2020, quando foi liberado com uso de tornozeleira eletrônica. Outros dois agentes chegaram a ser investigados por envolvimento no crime, mas tiveram acusações retiradas.

“O Matheus é mais um nome que se soma à luta contra o genocídio da juventude negra. Ele não é só um número, é uma vida, uma história, um rapaz que tinha sonhos, que tinha expectativas e que devido a uma política racista teve tudo isso arrancado dele”, afirma a presidente do CMPIR, Fiama Heloísa.

“O que a gente quer, na verdade, é que não existam mais Matheus. A gente quer que outros meninos possam ter trajetórias totalmente diferentes, que possam se formar, que possam trabalhar, que possam sonhar, que possam viver. Nossa juventude quer viver, a gente não quer morrer”, finaliza.

Deixe uma resposta