Às pretas do Brasil

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É preta de prata no topo do pódio de hoje
Foi a preta de ouro no pódio de ontem
E hoje eu vi os pretinhos sonhando
Eles estarão no topo também!

Nosso pódio apareceu no jornal
Não foi índice de criminalidade
Nem mortes pela polícia
A gente viveu um sonho
E ainda tá inebriado por ele.

Favela venceu
E não é frase de efeito
Favela venceu
No esporte do branco europeu.

Pretos no topo
Nunca foi metáfora
Mas ver realizado
É mais bonito que só as palavras ditas
O sorriso que atravessa o planeta
E aquece os corações do Brasil ao Japão.

Rebeca Andrade
A primeira medalhista olímpica brasileira da ginástica.
Daiane dos Santos
A primeira campeã mundial negra da ginástica.

Mulheres Negras a frente desse mundo
Não cabe a mim pôr em palavras
Nem seria o primeiro a dizer.

Mas se Deus existe, ele é mulher.
Uma mulher preta.
Brasileira.
E FODA PRA CARALHO.

Por um instante esqueça a pandemia, esqueça o péssimo momento para lotar um país com atletas de outros 190 países e fingir que nada vai acontecer.
Uma mina preta e da favela chegou no topo do mundo.
Uma mina preta e da favela hoje, amanhã e pelos próximos dias vai dormir com o peito quentinho sabendo que ela também pode.
Não há nada maior que isso.

*Antonio Rodríguez, 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

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