Vigília em frente ao Fórum pede justiça por Matheus Evangelista

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Familiares e amigos do jovem, com o apoio de movimentos sociais, intensificam manifestação nesta terça (03), quando será julgado o ex-GM Fernando Neves

Cecília França
Mariana Guerin

Foto em destaque: Reprodução Instagram/Ato Matheus Evangelista

O ex-Guarda Municipal Fernando Ferreira Neves vai a júri popular nesta terça-feira (03) pela morte de Matheus Evangelista, morto com um tiro durante abordagem em 11 de março de 2018, aos 18 anos, na Zona Norte de Londrina. Familiares e amigos do jovem, com apoio de movimentos sociais, promovem uma vigília a partir das 6h, em frente ao Fórum da Comarca, pedindo justiça.

“A gente está com muita expectativa, muito ansioso”, disse a irmã de Matheus, Jennifer Evangelista, em live realizada na última quarta-feira, lembrando que esta é a quarta vez que o júri é marcado. “O Matheus era um jovem de 18 anos, de família evangélica. Não é porque é meu irmão, mas ele era uma pessoa tranquila. Um jovem que tinha sonhos, que trabalhava, e que infelizmente teve a vida ceifada”, lamenta ela.

Para Jennifer, a condenação dos responsáveis pela morte de Matheus é importante para toda a comunidade. “A gente tem que se unir porque em março de 2018 foi a vida do meu irmão que foi tirada, hoje, amanhã ou depois pode ser a vida de outras pessoas, de outros jovens, principalmente negros”, destaca.

Segundo a assistente de acusação Inaiane Alves Gonçalves, advogada dos familiares de Matheus, a equipe reuniu provas suficientes para provar ao júri que Neves é responsável pelos crimes de homicídio qualificado, falsidade ideológica e fraude processual.

“Temos provas suficientes para a condenação em todos os crimes, incluindo depoimentos relevantes de pelo menos 40 testemunhas que relataram que a abordagem dos guardas municipais foi violenta e elementos que apontam que a cena do crime foi alterada.”

Inaiane reforça que “há provas de que o segundo disparo efetuado por Neves ceifou a vida do Matheus e que a responsabilidade pela morte do jovem é dele”. “A condenação dele e sua permanência em regime fechado é uma resposta à altura para a sociedade londrinense e para a família deste jovem, que clama por justiça”, avalia a advogada.

Defesa

No júri desta terça, o advogado de defesa André Luiz Salvador vai levantar a tese de que Fernando Ferreira Neves “foi eleito” como culpado pela morte de Matheus. “Vamos trabalhar com a negativa de autoria dos disparos, uma vez que nenhuma das testemunhas que prestaram depoimentos apontaram Neves como responsável pelo disparo”, diz ele.

Salvador cita ainda que uma prova pericial aponta que a cápsula disparada contra o jovem era de uma pistola Glock, que pertencia a outro guarda municipal que participava da abordagem, fez acordo com o Ministério Público e foi retirado do processo. No momento da ação, Neves estaria de posse de uma pistola Taurus. “A reconstituição do crime também provou que os disparos não foram efetuados da arma dele, portanto não há provas concretas contra Neves, apenas provas duvidosas”, reforça o advogado de defesa.

Em razão da pandemia da covid-19, o acesso ao Tribunal do Júri está restrito. O julgamento pode ser acompanhado pelo canal do TJPR no Youtube.

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