Famílias que perderam moradias no Centro Cultural Kaingang pedem ajuda

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Seis casas foram consumidas pelo fogo na noite de quarta-feira; espaço inaugurado há 22 anos nunca recebeu as melhorias projetadas

Milene Paschoal, especial para a Lume

Na quinta-feira (05) o Centro Cultural Kaingang, às margens da Avenida Dez de Dezembro, em Londrina, amanheceu com seis moradias a menos, e ainda era possível ver fumaça saindo dos escombros. Parte do espaço do centro foi dominado por um incêndio, que começou com um acidente por volta das 20h40 da noite de quarta-feira, quando uma moradora foi acender um lampião com óleo diesel e o líquido caiu, incendiando, primeiro, o tapete que cobria o chão. O local não conta com energia elétrica.

A moradora não conseguiu encontrar uma forma de frear o fogo e ele se alastrou até o sofá, chegando às madeiras que estruturavam o barraco e à cobertura de lona. Dali, se espalhou para as moradias ao redor. O Corpo de Bombeiros chegou cerca de 40 minutos após o incidente e conseguiu controlar as chamas depois de uma hora de trabalho. De acordo com Renato Kriri, vice cacique, “o corpo de bombeiro salvou o centro, pois com o calor das chamas somado ao tempo seco, o fogo poderia ter se espalhado e queimado todos os barracos.”

Dois indígenas sofreram queimaduras leves nas pernas e nos braços quando foram resgatar crianças que estavam no local quando o fogo começou. Eles foram socorridos pelo SAMU, levados até o hospital, e já haviam retornado ao centro na manhã da quinta-feira. No total foram seis casas completamente destruídas, com tudo que havia dentro, e outras duas moradias danificadas pelo incêndio. Nos seis lares moravam cerca de 18 pessoas, sendo pelo menos sete crianças.

A maioria das famílias que perderam os lares, por sorte, não estavam no centro, haviam ido para a aldeia no momento da queima. Elas receberam apoio da Defesa Civil, que se prontificou oferecendo abrigo, mas foram acolhidas por parentes. O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) também ofereceu assistência com a doação de cestas básicas ao grupo.

As moradias abrigam indígenas de passagem pela cidade para a venda de artesanato, mas a estadia acaba se tornando permanente para alguns. O vice cacique conta que em torno de 35 famílias moram hoje no Centro Cultural Kaingang. Elas saem da aldeia para vender artesanato, principal fonte de renda e sobrevivência do grupo. Em épocas de final de ano, esse número chega a 58, quando famílias se unem por conta das férias das crianças.

História

O Centro Cultural Kaingang existe há 22 anos, desde 1999, quando foi cedido pela prefeitura de Londrina para a moradia dos indígenas e com o objetivo de divulgar e promover a cultura para a sociedade não-indígena. As melhoras prometidas no local, como projetos de construções adequadas e casas de estudantes, no entanto, ficaram apenas no papel.

Até hoje o local não possui energia elétrica, devido às condições que são consideradas inseguras para instalação. O líder do grupo indígena conta que conversou recentemente com a Cohab (Companhia de Habitação de Londrina) e recebeu a devolutiva de que existe um projeto protocolado, porém que não há recursos para a construção de moradias adequadas no espaço.

Com o incêndio de agora as famílias vão precisar se planejar para reconstruir as moradias, já que há apenas duas barracas atualmente desocupadas e que podem ser adaptadas. O grupo abriu uma conta para receber doações que ajudem com as perdas. O número pix é 950.697.399-72. Eles pedem também roupas, comidas, colchões e mobiliário no geral.

Dúvidas e informações podem ser sanadas com Renato Kriri, no (43) 99663-3942.

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