Em Londrina, 24,7% da população está totalmente imunizada contra a covid

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Índice inclui pessoas com duas doses ou vacina de dose única e ainda está bem abaixo dos 70% ideais para superarmos a pandemia

Cecília França

Foto em destaque: N.Com

Londrina alcançou nesta terça-feira 142.209 pessoas imunizadas com as duas doses de alguma vacina contra a covid-19 ou com o imunizante da Jansen, de dose única. Esses londrinenses estão com o esquema de imunização completo contra a doença, o que representa 24,7% da população total, estimada em 575.377 pessoas. O índice ainda é bem abaixo dos 70% necessários para considerarmos a pandemia superada, como alerta a pneumologista Ana Tereza Muzio, integrante da Associação Médica de Londrina (AML).

“O que nós incentivamos é que todas as pessoas tem que completar o esquema de vacinação. Por que? Em torno de 15 a 20 dias, todas oferecem alguma proteção (na primeira dose), varia de uma para a outra. Tem vários estudos comentando sobre esse tipo de proteção, pode ser até um nível bom, mas tem que se completar com a segunda dose para ter a proteção ideal”, detalha.

A jornalista Erika Zanon, 40, recebeu a vacina da Jansen, de dose única, e conta que a sensação foi de alegria quando chegou sua vez de ser imunizada. “Eu fui pronta para tomar a (vacina) que tivesse. Fiquei bastante emocionada quando chegou a minha hora porque para mim a vacina é o que hoje a gente tem que pode realmente nos proteger dessa doença. E a vacina veio também como uma dose de esperança, porque eu vi muitos amigos com familiares que ficaram doentes, amigos que perderam familiares e isso dá uma tristeza muito grande na gente”, ressalta.

Quanto aos cuidados de prevenção, ela vem mantendo todos em casa. “Não mudamos nossos cuidados em relação a pandemia, só vou me sentir tranquila quando a maioria da população estiver vacinada, incluindo as crianças. Ainda temos um longo caminho para chegar a isso”, lembra.

Cuidados devem ser mantidos, lembra médica

A pneumologista Ana Tereza lembra que estão disponíveis no País e em Londrina quatro vacinas: Coronavac, AstraZeneca, Pfizer e Jansen, sendo esta última a única opção de dose única. “Independente da primeira ou segunda dose, temos orientado que todas as medidas de precaução devem continuar porque muitas pessoas ainda não foram vacinadas”, alerta.

“O ideal, para termos uma boa proteção, é de 70% da população para cima com a vacinação completa. Aí a gente passa a ter uma imunidade onde a transmissão vai cair bastante e vamos controlar de vez a pademia”.

A médica alerta, ainda, que mesmo quem tomou a vacina completa pode continuar transmitindo ou mesmo se contaminando, porque nenhuma vacina protege 100%. “Tem caso de pessoas que tomaram vacina e foram parar na UTI e até óbito. Mas, claro, reduz muito”, afirma.

Por isso, menos de 30% da população completamente vacinada não significa tranquilidade diante da pandemia. Todos os cuidados devem prosseguir, como uso de máscara, uso de álcool em gel e distanciamento social.

‘Me sinto aliviada, mas totalmente segura não’

A economista Mariusha Rinaldi, de 31 anos, esperou ansiosamente pela primeira dose da vacina, que recebeu na semana passada. “Esperei demais por este dia. Tinha muito medo de ser contaminada antes de receber a primeira dose, mais medo ainda quando vi que faltava muito pouco para chegar a minha vez. Fico mais aliviada, mas totalmente segura não. A pandemia ainda não acabou, e mesmo recebendo a segunda dose, há sempre risco”, ressalta.

Mariusha conta que não teve parentes nem amigos com casos graves ou óbito pela doença, mesmo assim, destaca os impactos da pandemia familiar e profissional.

“Diretamente impactou na minha vida profissional, antecipando a saída do meu emprego de uma forma bem brusca, pois devido o fechamento das escolas, precisei cuidar das minhas filhas em tempo integral. Desde o início, tomamos o maior cuidado possível, nos privamos de muitas coisas, de convívio com as pessoas que amamos, o que acabou nos afastando de algumas pessoas. Com a família toda dentro de casa, 24 horas por dia, durante meses, nos fez também repensar sobre a nossa moradia”, conta.

“Nossa saúde emocional também foi impactada. O medo de sair, o medo de ficar doente e até mesmo morrer, deixaram eu e meu esposo bastante ansiosos, algumas vezes ficamos bem deprimidos, e as minhas filhas pequenas sentiram muito também a ausência dos passeios, das aulas, dos amiguinhos, das professoras e dos familiares”, acrescenta. A família, composta por ela, o marido e duas filhas, acabou mudando do apartamento para uma casa, onde tem mais espaço para trabalhar e brincar.

Jovens de 25 anos podem vacinar

Londrina abriu nesta semana agendamento para pessoas acima de 25 anos se vacinarem. A cidade trabalha com etapadas, sendo o cadastro a primeira e o agendamento a segunda. O cadastro está disponível para maiores de 18 anos.

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