Dia Nacional de Protestos e Paralisações é marcado por ‘aulão’ no Calçadão de Londrina

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Servidores distribuíram panfletos e discursaram sobre os impactos da privatização na qualidade dos serviços públicos

Mariana Guerin

Como parte da programação do Dia Nacional de Protestos e Paralisações, marcado para este 18 de agosto em todo o País, uma aula pública sobre “os impactos econômicos da destruição dos serviços públicos” por conta da PEC 32, que prevê a reforma administrativa, reuniu servidores no Calçadão de Londrina na manhã desta quarta-feira.

A ação, organizada localmente pelo Coletivo de Sindicatos de Londrina, contou com apoio do Movimento Fora Bolsonaro e Levante Popular da Juventude. Durante o “aulão”, servidores de diversas categorias, como Correios, Bancários, Saúde, Metalúrgicos, Sindiserv, entre outros, discursaram e panfletaram pelo Centro da cidade com o objetivo de alertar a população sobre projeto de privatização de vários órgãos federais proposto pelo atual governo.

Em protesto, Correios estão em estado de greve

Em estado de greve e paralisados nesta quarta, funcionários dos Correios aguardam respostas da negociação salarial que acontece esta semana em Brasília. “Os Correios apresentaram um lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, fora todas as reservas que devem ultrapassar R$ 2 bilhões, e eles querem propor, na campanha salarial, a manutenção do acordo, com adição do banco de horas, sem nenhum reajuste”, lamenta Cristian Ratz, diretor do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná.

Segundo ele, o acumulado da inflação no ano é de 8,35% e não representa nenhum ganho real aos trabalhadores. “É só uma equiparação de perdas. Como a gente não vai aceitar isso, a proposta da federação é realizar hoje a paralisação junto aos demais servidores e amanhã, já com intermediação do TST e se essas negociações não avançarem, a gente vai avaliar se mantém a paralisação por mais tempo”, explica Ratz, destacando que só no Paraná, são 5 mil trabalhadores dos Correios, sendo 300 só em Londrina, que podem perder seus postos de trabalho.

Em sua fala a quem passava pelo Calçadão de Londrina, Ratz destacou ainda o risco de desatendimento, especialmente em cidades menores, caso a privatização for aprovada. “Hoje, no mercado de pequenas e médias encomendas e cartas, existe um monopólio postal dos Correios porque ninguém quer assumir o setor de cartas. É um setor sensível, que envolve também a segurança do cliente e toda a segurança da informação do trânsito dos objetos”, alerta o sindicalista, citando que, ao todo, a empresa conta com cerca de 100 mil trabalhadores, que recebem um salário médio de R$ 1,9 mil.

Aprovado na Câmara dos Deputados no início de agosto, o Projeto de Lei (PL) 591/21, que autoriza a privatização da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), aguarda ainda a análise do Senado. O texto diz que a União poderá vender a empresa e determina que os serviços postais considerados universais, como cartas, impressos e telegramas, deverão ser realizados por uma nova empresa chamada de Correios do Brasil.

Protestos englobam diversas categorias em ‘aulão’

Além de Ratz, outros representantes de sindicatos discursaram sobre seus receios quanto às reformas administrativa e trabalhista. Todos destacaram que não só os servidores como a população serão impactados pelas privatizações, uma vez que a reforma administrativa tem como meta acabar com a estabilidade no serviço público, possibilitando demissões de forma arbitrária, na visão dos servidores.

Eles alertaram ainda para a redução da jornada de trabalho e, consequentemente, dos salários, e a perda de outros direitos. Para os servidores públicos, “a reforma administrativa contribuirá para ampliar o desvio de recursos públicos para pagamento da dívida pública, reduzindo drasticamente a capacidade do Estado brasileiro em investir na manutenção e ampliação dos serviços públicos”, informa o panfleto distribuído à população durante a manifestação.

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