Sextou Sociológico vai debater as desigualdades sociais em curso online

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Padre Julio Lancellotti será um dos convidados do Sextou Sociológico, programa do Youtube vinculado ao projeto Práxis Itinerante da UEL

Mariana Guerin

Começa nesta sexta-feira (20) a segunda temporada do Sextou Sociológico, programa vinculado ao projeto integrado Práxis Itinerante – Novas Perspectivas para as Juventudes e Populações Vulneráveis, coordenado pelo professor Fabio Lanza, associado do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH). Nesta temporada, o programa fará parte de um curso que pretende dialogar sobre as desigualdades sociais no Brasil 2021. Os encontros serão sempre às sextas-feiras, a partir das 19h30, no canal do Youtube Práxis Itinerante UEL.

As inscrições para o curso são gratuitas e podem ser feitas no site da UEL. O programa oferece certificação aos estudantes e à comunidade em geral que tiverem 75% de presença nas aulas que começam nesta sexta e vão até 3 de dezembro, num total de oito encontros, que estão sujeitos à modificação ao longo do semestre.

O tema da aula desta sexta será “Desigualdade Social e a população em situação de rua no Brasil” e terá a participação de Leonardo Aparecido Gomes, coordenador do Núcleo de Londrina do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), Leonildo Monteiro, coordenador no MNPR e presidente do Instituto Nacional de Direitos Humanos da População de Rua (INRua), e Victoria Pedro Corrêa, cientista social e mestra em sociologia pela UEL.

Sextou Sociológico está na segunda temporada

Segundo Fabio Lanza, a primeira temporada o Sextou Sociológico aconteceu no primeiro semestre deste ano. “Foi uma atividade muito interessante, com temas diferentes. Agora, nós optamos por trabalhar com a temática das desigualdades sociais no Brasil e convidaremos representantes dos movimentos sociais, pesquisadores, profissionais diversos que atuam frente às questões que envolvem a população em situação de rua, as pessoas trans e travestis, as pessoas envolvidas na questão agrária, outras envolvidas com a questão urbana e ainda debateremos a intolerância religiosa sobre o prisma dos direitos humanos”, descreve.

Além dos convidados da primeira aula, focada nas desigualdades sociais e a população em situação de rua, outros profissionais já confirmaram sua participação no curso, completando a programação dos três primeiros encontros. Entre eles, o Arcebispo Metropolitano de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, e a promotora de Saúde de Londrina Susana de Lacerda, que participam no segundo encontro, na próxima sexta-feira. No terceiro encontro, participarão o padre Julio Lancellotti e André Luís Barbosa, “que foi pessoa em situação de rua, já viveu sua transição e está na condição de estudante na UEL”, cita Lanza.

De acordo com o professor, a desigualdade social está constituída pelos seres humanos ao longo da sua trajetória. “No entanto, na nossa contemporaneidade, já sabemos que a incidência de uma maior ou menor desigualdade social entre as pessoas, as classes sociais, os grupos está associada à nossa trajetória sócio-histórica, econômica e cultural.”

“O Brasil está no topo dos países que praticam violência e assassinato de pessoas transexuais ou travestis. Somos o primeiro do mundo e isso não é natural, é um exemplo de como o processo que eu acabei de citar influencia formas de violência e gera desigualdades sociais”, diz Lanza.

Ele ressalta que também somos um país do tamanho continental, onde um grupo minoritário possui amplas áreas de terras: “Ao invés de produzirem, muitas servem exclusivamente para especulação imobiliária, enquanto nós temos grupos majoritários de pessoas vivendo em condições desumanas nas periferias das cidades, nas regiões metropolitanas”.

Políticos são responsáveis pela desigualdade

“Nós entendemos que isso não é um processo natural. Nem se trata de meritocracia. Nós temos uma formação, como sociedade brasileira, que planeja e gestiona a desigualdade social. Esses aspectos que envolvem grupos minoritários e majoritários, com tamanha diferença, prejudicam o desenvolvimento da sociedade brasileira e da América Latina como um todo.”

Para Lanza, poderíamos nos tornar uma nação que promove políticas públicas visando uma maior distribuição de riqueza e de renda para quebrar os ciclos que marginalizam e projetam a morte para determinados grupos sociais.

“Se trata de responsabilizar os políticos que administram o estado brasileiro em qualquer uma das esferas. Se trata de responsabilizar aqueles que fiscalizam a gestão das políticas públicas, seja do campo do legislativo ou do judiciário, para que as desigualdades sociais no Brasil fossem encaradas de forma responsável e de maneira que nós conseguíssemos permitir que a maior parte da população brasileira tivesse acesso a um teto, água tratada, educação integral de qualidade.”

Uma proposta de sociedade mais justa passa pela oferta da educação de qualidade. “Não foi essa a opção feita pelos grupos que controlam o Estado hoje, porque a produção de uma educação de qualidade não implica só o livro didático, a atividade em sala, implica um conjunto muito maior. Não conseguiremos projetar uma sociedade com outro tipo de organização civilizacional enquanto perdurarem essas estruturas geradoras da desigualdade, como a distância da formação de conteúdos básicos ofertados em colégios privados em detrimento da oferta de conteúdos em colégios públicos, por exemplo”, finaliza Fabio Lanza.

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