Cesta básica atinge maior preço da série histórica

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Cesta de alimentos em Londrina custou R$ 518,42 em agosto, maior valor desde o início da pesquisa mensal, em 2003

Cecília França

Foto em destaque: ccipeggy/Pixabay

O mês de agosto marcou novo aumento da cesta básica em Londrina, elevando o preço ao recorde de R$ 518,42. O valor é o maior desde o início da série histórica pesquisada pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea), em 2003. O recorde anterior era de janeiro deste ano, quando o grupo de alimentos custou R$ 506,01.

Com isso, a cesta básica comprometeu 47% do salário mínimo em agosto. No acumulado do ano, o comprometimento médio é de 44,5%, o maior desde 2008. A inflação no mês de agosto foi de 3,55% em relação a julho e de 22,4% frente ao mesmo mês do ano passado.

Onze dos 13 produtos pesquisados pelo Nupea apresentaram alta em agosto, com destaque para a margarina (9,9%), o açúcar (8%) e o café (7,5%). A carne, produto que tem maior peso na cesta, segue numa crescente e registrou aumento de 4,6% este mês. O economista responsável pelo levantamento, Marcos Rambalducci, diz que um grande indicador de queda do preço do produto está associado à taxa de câmbio.

“Se ela tiver abaixo de R$ 4,90 realmente pode cair. Caso contrário, não vejo possibilidade. Então, não apostaria nessa queda”, afirma. A taxa de câmbio hoje está em R$ 5,17.

Pandemia explica parte do aumento

O preço da cesta básica vem aumentando desde 2020, quando bateu recorde em dezembro. Segundo Rambalducci, a pandemia é responsável por uma parcela significativa desta alta dos preços dos alimentos. Crise hídrica e polarização política, de acordo com ele, completam o quadro.

“Vivemos um momento em que a polarização política causará uma instabilidade na economia. Isso tem impacto na volatilidade do dólar. A demanda mundial por commodities continua em alta, o que significa pressão nos preços internacionais. A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) não dá sinais de que vai aumentar a produção de petróleo a ponto de fazer cair os preços. Estamos diante de uma crise hídrica realmente séria que encarecerá mais ainda este insumo. Então não dá para construir uma posição que seja diferente de aumento no preço dos produtos”, conclui.

Comprometimento da renda é o maior dos útimos anos

Segundo Rambalducci, alimentação básica não deveria comprometer mais que 20% da renda do trabalhador. Os londrinenses não encontram esse cenário, no entanto, há vários anos – ao menos desde que a pesquisa vem sendo realizada. E agora, vivenciam uma das piores crises.

“A média de comprometimento do salário mínimo em relação ao preço da cesta básica está neste momento a 44,55%. A tendência é de aumento deste comprometimento a medida que os meses evoluam”, afirma o economista. O gasto necessário para manter a alimentação básica atualmente só é menor que em 2008, conforme quadro abaixo.

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