Curso da UEL sobre desigualdades sociais traz Pe. Julio Lancellotti

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Sacerdote participa do terceiro encontro do “Sextou Sociológico” dedicado a debater Desigualdade Social e a População em Situação de Rua

Cecília França

Acontece amanhã (03) o terceiro encontro do curso “Diálogos sobre Desigualdades Sociais no Brasil”, do programa “Sextou Sociológico”, do projeto integrado Práxis Itinerante-Novas Perspectivas para as Juventudes e Populações Vulneráveis, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Será o terceiro encontro dedicado ao debate da desigualdade social e a população em situação de rua no Brasil e vai contar com a presença do Padre Julio Lancellotti, expoente nacional na defesa desta população.

Lancellotti trabalha há décadas com o atendimento e apoio a pessoas em situação de rua, em São Paulo. Por causa de sua atuação, é alvo frequente de grupos grupos fascistas. Até o presidente Jair Bolsonaro já ironizou publicamente a atuação do padre, que segue firme em sua luta contra a desigualdade. À Lume, ele conta o que espera debater no curso amanhã.

“A população de rua não é causa de problema,s ela é a consequ^ncia. E consequência de um sistema que tem como lógica o descarte. Então é isso ue temos que colocae, para que todos se envolvam de uma maneira direta ou indireta na bisca de respostas que diminuam as desigualdades e as superem”.

É visível que a pandemia agravou a vivência das pessoas que não têm moradia e empurrou tantas outras a esta situação. Lancellotti comenta sobre a impossibilidade de cuidados básicos para manter a saúde desta população.

“A pandemia agravou a situação da população de rua, que já era difícil. Uma questão, por exemplo: todas as indicações corretas da Organização Mundial da Saúde são inacessíveis para a poulação de rua. Lavar as mãos, usar máscara, distanciamento…onde eles vão conseguir todas essas coisas para manter esses protocolocs que são absolutamente necessários?”, questiona.

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População de rua fala por si

Esta primeira parte do curso, dedicada à população em situação de rua, tem contribuído para amplificar as múltiplas vozes dessas pessoas. No primeiro encontro, o curso recebeu o coordenador do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), Leonildo Monteiro, e o coordenador do movimento em Londrina, Leonardo Aparecido Gomes, ambos em superação da situação de rua. No segundo encontro foi a vez de Márcia Andréia Fabisiak contar suas experiências e apresentar suas demandas. Ela vive em uma praça de Londrina com o companheiro.

André Luís Barbosa, convidado do terceiro encontro, diz que pretende abordar sua história de superação da situação de rua, passando pela militância em defesa de direitos. Ele se reconhece como um exemplo de pessoa que conseguiu superar a situação de rua a partir das oportunidades e pessoas que o ajudaram.

“Mostrar que rua não é só aquela questão que a gente vê nos programas policiais, que o cara está embriagado, envolvido por substâncias psicoativas. Não, tem os momentos ruins também, que são pouco mostrados, como o pessoal na frente do Centro Pop, no frio nas ruas. Agora os fatos que aparecem na mídia normalmente são só quando estão embriagado ou envolvido em algum ato infracional, não quando está numa fila de alimento, por exemplo”, defende.

Para ele, o encontro será um oportunidade de mostrar um retrato do que as pessoas passam nas ruas para que a sociedade se conscientize. “Quando existe um problema na questão social, precisa de argumentação para se buscar uma solução. Na questão da população de rua, falta empatia. As pessoas muitas vezes esquecem que a pessoa não nasceu na rua, ela saiu de um seio familiar, por ‘n’ motivos. Todo mundo é capaz, só precisa de uma oportunidade”, esclarece.

Curso segue até novembro

Após os encontros dedicados à população de rua, o curso Diálogos sobre as Desigualdades Sociais no Brasil segue até novembro tratando dos temas: pessoas transexuais no Brasil; questão agrária e movimentos sociais; direitos humanos e intolerância religiosa.

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