Ato contra o governo ocorre sob intenso policiamento

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Movimentos populares saíram às ruas no mesmo dia em que apoiadores do governo Bolsonaro

Cecília França

Foto em destaque: Talyta Elen

No mesmo dia em que milhares de pessoas saíram às ruas em defesa de pautas antidemocráticas em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, cerca de 200 londrinenses se reuniram em um ato contra o governo. A concentração ocorreu em frente à biblioteca pública municipal sob intensa presença da Polícia Militar (PM) e da Guarda Municipal (GM).

Logo no início, o comandante do 5° Batalhão da PM, Tenente-Coronel Villa, foi até os manifestantes para dizer que a presença do efetivo tinha como objetivo a segurança dos participantes e recomendou que eles não respondessem a eventuais provocações dos grupos pró-governo. O ato em apoio a Bolsonaro começou na rotatória das avenidas JK e Higienópolis, mas naquele momento se deslocava para a Praça da Bandeira.

O ato contrário partiu da biblioteca rumo à Concha Acústica, onde manifestantes fizeram discursos contra o fascismo, o capitalismo, em defesa dos direitos sociais, em apoio aos povos originários, e destacando o alto custo dos alimentos, do desemprego e o descaso com a vida dos brasileiros.

“É necessário construir a derrubada do regime fascista e capitalista visando a construção do poder popular rumo ao socialismo”, disse um das manifestantes. “Não tenham medo de sair às ruas pra derrubar fascista”, conclamou outra. De lá, os manifestantes partiram para a Praça Rocha Pombo, de onde dispersaram após alerta de uma participante para cuidados de segurança.

“Estmaos cercados pelo braço armado do estado”, disse, pedindo que os deslocamentos se dessem em grupos. “Tenham o celular em mãos, se precisar faça registro e entre em contato imediatamento com alguém dos movimentos sociais. Em grupos, não vá sozinho. A nossa luta não acabou”.

Grupo é detido rumo à manifestação

Cinco pessoas que seguiam para a manifestação foram detidas pelo porte de sprays, tacos de beisebol e uma pequena quantidade de maconha. Levados para a delegacia, foram liberados após lavratura de termo circunstanciado. O advogado Rafael Colli, da Advocacia Humanista, acompanhou o grupo e aponta diferenças no tratamento das manifestações.

“Eles só foram abordados porque estavam numa manifestação contrária ao governo. Duvido que houve uma operação dessa no ato pró-governo”, contesta. Participaram da manifestação A Ação Antifascista, Sindicato Independente (SITrabalhadores), Alternativa Popular, Movimento Autônomo Popular (Map), entre outros.

O Tenente-Coronel Villa disse à Lume que o intenso policiamento tinha como objetivo a garantia do direito à manifestação dos dois grupos, o que, avalia ele, foi alcançado. “Mesmo com as duas manifestações simultâneas no período do tarde conseguimos manter o isolamento entre elas e evitar provocações”.

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