Frentes Trans e Feminista fazem ato em defesa do Conselho LGBT

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Com panfletagem no Calçadão, coletivos esperam esclarecer sobre o funcionamento do Conselho, atacado por conservadores

Cecília França

A Frente Trans de Londrina e a Frente Feminista promovem, neste sábado, uma ação em defesa do Conselho Municipal dos Direitos LGBT, projeto em tramitação na Câmara de Vereadores e que tem sido alvo de grupos conservadores. Por meio de panfletagem e conversas, os coletivos pretendem esclarecer dúvidas da população e angariar os votos necessários entre os vereadores para aprovação do projeto.

O ato acontece no mesmo dia de uma passeata convocada por conservadores. Segundo o secretário da Frente Trans, Oliver Letícia Fernandes, a ideia é não usar da mesma estratégia de desinformação utilizada por movimentos contrários. “A ideia é dar bastante informação, convidar os vereadores que estão indecisos, um ato bem informativo, não de demonstração de poder. Informar para trazer esse lado mais positivo mesmo. A ⁶oposição usa muito do desinfomar para poder conseguir seu objetivo, que é não passar o Conselho”, lamenta.

O grupo vai se concentrar por volta das 9h no Calçadão, próximo às lojas Pernambucanas, e após a panfletagem sairá em cortejo. “A gente vem lutando bastante, inclusive o prefeito vem se posicionando nos últimos dias. Estamos fazendo contato, marcando encontros para poder falar com os vereadores, e os que se posicionaram a favor estão nos ajudando também. Os que estavam em cima do muro era mais por desinformação”, acredita.

Prefeito defende Conselho em postagem

O projeto de lei 76/2021, que cria o Conselho LGBT, é de autoria do Executivo, com texto trabalhado por várias entidades. Nesta semana, o prefeito Marcelo Belinati (PP) divulgou uma postagem em defesa do projeto em suas redes. “Toda pessoa tem família, tem amigos, tem sonhos. Mas algumas pessoas passam a vida toda sofrendo preconceitos, discriminação; outras são agredidas e até mortas por causa de sua orientação sexual. É o chamado crime de ódio! E isso tem sido cada vez mais comum no Brasil. Aqui em Londrina, não é diferente.”

No texto, ele diz que, para “prevenir a violência e o preconceito”, apresentou o projeto à Câmara. “O conselho será consultivo e não deliberativo (é um espaço para debates), não é remunerado, ou seja, não tem custo nenhum, é zero custo, e não tem nada a ver com escolas ou ideologia de gênero (como alguns poucos preconceituosos homofóbicos cheios de ódio no coração insistem em espalhar Fake News).”

Oliver Fernandes lembra que vivemos no país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo e que espaços como o do Conselho são importantes para a elaboração de políticas públicas e até mesmo para o levantamento de dados essenciais para essa formulação.

“Acredito que onde há diversidade há dialogo, há construção. O Conselho vem com essa ideia de criar esse diálogo, começar a trazer demandas específicas dessas populações, para serem pensadas, trabalhadas em leis”, detalha.

Frente Feminista se engaja na luta

Parceira dos coletivos LGBTQIA+ em Londrina, a Frente Feminista vai somar no ato deste sábado em nome das coincidentes dos dois movimentos. “Embora existam diferenças, existem muitas proximidades, uma delas é a crítica à heteronormatividade, a luta pelo reconhecimento e valorização das identidades e subjetividades. Os movimentos lutam contra a LGBTQIA+fobia; os dois movimentos têm em comum essa necessidade de se questionar os padrões culturais definidores de masculinidades, de feminilidades, de padrões de relacionamentos afetivos, e seguem na luta parceiros nesse sentido”, explica Meire Moreno.

Outras pautas que aproximam os dois movimentos são a reivindicação pela adoção da perspectiva de gênero nos currículos escolares e a educação sexual. Segundo Meire, para a Frente Feminista a criação do Conselho é de grande importância por ser uma possibilidade de ampliação da participação popular para ouvir as vozes da população LGBTQIA+.

“Participação popular e controle social das políticas públicas é direito de todas, todes e todos”, finaliza.

*Esclarecimento: A Rede Lume utiliza a sigla LGBTQIA+ para se referir à comunidade. No entanto, o texto do PL que cria o Conselho utiliza a sigla reduzida LGBT, daí a utilização da mesma quando nos referimos ao projeto.

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