Eu sou poeta?

Publicado por

O que me faz artista?
Escrever meia dúzia de palavras desconexas
Achar duas que rimam ao final de cada frase
E chamar de poesia.

Se não fizer sentido
Divagar através da futilidade da existência humana
Questionar a falta de sentido da nossa vida
E simplesmente dizer
Que se o mundo não faz sentido
Por que algumas palavras teriam que fazer?

Viajar através do universo
Seja o de palavras ou o de planetas
Admirar os diversos corpos celestiais abióticos existentes
Tentar reuni-los
Como um astronauta sentado em seu telescópio
Tentando nomear galáxias e observando supernovas.

Supernovas
Eu era uma estrela ontem
Hoje eu sou poeira cósmica
Amanhã quem sabe
Apenas um micropedaço de matéria
Um conglomerado insignificante de átomos
Nos nãoseiquantoslhões de átomos a vagar por aí.

Um átomo
Será que ele se preocupa em se definir como átomo?
Então por que poeta ainda me soa estranho?

Me descrever como tal
Mesmo chegando à 3ª centena de poemas acumulados
Ainda parece demais.

Será que eu honraria os mestres?
Teria sua benção ao trilhar este caminho?
Carregaria o peso da ancestralidade?
Sem pensar nele como um fardo?

Será que o Orfeu Negro
É suficientemente poético?
Sabendo escrever sobre amor
Sem sequer ter vivido isso?

Será que o Leão do Tsavo
Teria poesia suficiente em seu coração de pedra?
Despejando suas dores em palavras de ódio e ordem
Fingindo ter mais força do que tem
Sendo mais forte do que queria
Mas sendo essa a única maneira possível?

Será que eu sou poeta?
Será que eu sou artista?
Será que existe um diploma?
Um certificado regional de poetas e artistas?

Seria eu um poeta?
Ou apenas uma malabarista de palavras com um ego inflado?

Estou quase chegando à um ano completo de colunas aqui na Rede Lume, e mesmo assim, toda vez que eu tenho que me descrever, poeta ainda parece uma palavra forte demais pra mim mesmo.
E artista é muito abrangente para um simples jovem com uma caneta na mão.
Não que eu quisesse mais um Enem neste ano recheado de Vestibulares, mas este mundo se fez tão necessitado destas provas fúteis que eu gostaria de uma que confirmasse meu ser poeta.

*Antonio Rodríguez, 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

Deixe uma resposta