Covid: casos e óbitos voltam a crescer em Londrina

Publicado por

Números do mês de setembro mostram que ainda não é hora de abandonar os cuidados em relação ao vírus

Cecília França

Foto em destaque: Ato do Comitê Unificado em homenagem às vítimas da covid/Isaac Fontana

O número de óbitos por covid-19 em Londrina voltou a subir em setembro, após dois meses de queda. Foram 170 mortes no mês passado, contra 106 em agosto e 145 em julho. As curvas de média móvel mostram que, ao contrário dos meses anteriores, o período encerrou numa crescente. O montante de casos confirmados também aumentou de forma expressiva: foram 7.609 novos registros; em agosto haviam sido 5.008. Mas, afinal, o que pode ter provocado essa crescente se estamos avançando na imunização?

Levantamento do site Tem Londrina mostrou que a taxa de mortalidade do novo coronavírus por 100 mil habitantes em Londrina é maior que a estadual e a nacional. Enquanto no País a taxa de mortes está em 279 a cada 100 mil pessoas e no Estado em 334, aqui é de 368. Marselle Nobre de Carvalho, coordenadora do Projeto Safety, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que acompanha diariamente os dados sobre a covid, faz uma análise a partir dos dados.

Arte: Rede Lume

“O número bruto diz alguma coisa, mas quando você pega taxa, que compara, você começa a dizer ‘tem alguma coisa aí'”, explica ela sobre o pensamento científico. Marselle aponta que o Paraná está entre os Estados com maiores taxas de transmissão da covid-19 no Brasil, o que tem ocorrido em locais onde já há predominância da variante Delta, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“A P1 ainda é a (variante) prevalente, mas a Delta está avançando e tem alta transmissibilidade, então, muito provavelmente a taxa nesses Estados tem a ver com a presença dessa variante. Quanto mais o vírus se espalha, é uma loteria, você não sabe quem vai pegar e não sabe se vai agravar e precisar de internação”, lembra a pesquisadora.

Médias móveis de óbitos: desde o início da pandemia (acima), meses de julho, agosto e setembro, abaixo.
Fonte: Projeto Safety

Vacinação impacta positivamente

A vacinação avança, mas ainda estamos próximos de 47% da população totalmente imunizada (com duas doses ou dose única), abaixo dos mais de 70% preconizados como necessários para imunização coletiva.
O que pode estar ocorrendo: a vacinação avançou, aumentou expressivamente o volume de pessoas circulando nas ruas, elevando a transmissão do vírus e a possibilidade de mais doentes com quadros de agravamento.

“A gente sai de um mês que tem uma tendência de crescimento. E qual é a questão que está atrás: aumentou a transmissão, aumentou a notificação de casos, aumentou a circulação de gente, de vírus, as pessoas estão relaxando as medidas”, diz Marselle.

“Vacinou tem que usar máscara, tem que continuar fazendo distanciamento, mesmo com duas doses. A vacina não impede de contrair o vírus, ela vai fazer com que você tenha a covid leve, mas a gente não sabe como a covid vai se desenvolver nos organismos. Ela não vai impedir 100% que agrave e que, eventualmente, você precise de um atendimento médico”.

Pessoas não vacinadas dificultam o enfrentamento da pandemia. Isto porque, caso contraiam o novo coronavírus, como não têm anticorpos (ao contrário de pessoas vacinadas), o vírus vai seguir seu ciclo no organismo, se replicar e passar adiante. “A pessoa não vacinada tem a condição de contribuir para mutações do vírus”, adiciona Marselle.

Reforço deve ser necessário

A presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Beatriz Tamura, também acredita em um impacto da questão comportamental nos números da covid, mas acrescenta outra questão: “Infelizmente observamos um aumento do número de novas contaminações, mesmo naqueles vacinados, como por exemplo nos profissionais da saúde, que foram um dos primeiros, levando a concluir que provavelmente precisamos de um novo reforço vacinal”.

Londrina já iniciou a aplicação da terceira dose (ou dose de reforço) em idosos acima de 70 anos e pessoas imunossuprimidas. Até agora, 6.002 receberam a dose extra.

Deixe uma resposta