Surfar na quebradeira

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Deitado na pedra poltrona
Vejo o fim da tarde
Venta frio
No dia nublado

Eu e meu cãozinho
Vendo os surfistas
E tentando entender
Que pra pegar a onda
Não tem dia e nem horário
Muito menos temperatura
Ou ventania
Ali sempre estão eles na quebradeira
Em busca de surfar
Uma onda que quebra
Não quebra quem surfa
E quando ela se desmancha
Lá vem o surfista de novo
Atrás de outra quebradeira
E a onda por sua vez
Quebra aos seus pés
Num vai e vem brincante
Não há o que temer
Na quebradeira
Ali também surge a melhor onda
Só nela
E o segredo…
É surfá-la
Para depois surfar a outra
A outra
E outra também…
Essa coisa de surfar cria músculo
Resistências tonificadas
Uma prancha
E um corpo manifesto
De frente pra onda
Surfistas sociais
Resistiremos
A pedra estava gelada
E o cão que quis meu colinho
Lembrou que estava fria a tarde
Um indo e vindo da vilinha
Pessoas da comunidade
Passam
Passam também os peixes
Fugindo do bico do pássaro
Que está na beira
À espreita de alimentar-se
– Corre Tom Zé
Olha a chuva!

*Régis Moreira, Comunicólogo Social e Gerontólogo, doutor pela ECA (USP) em Ciências da Comunicação, docente do Depto de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde atua como pesquisador na área de comunicação, envelhecimento e gênero. Pesquisador do Observatório Nacional de Políticas Públicas e Educação em Saúde.

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