Júri do caso Gabriel Sartori é agendado para fevereiro

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PM acusado de efetuar o disparo que vitimou o adolescente responde por homicídio doloso

Cecília França

Foto em destaque: Cartaz de movimentos sociais pede justiça por Gabriel/Rede Lume

Foi marcado para 21 de fevereiro de 2022, às 9h, o júri popular do policial militar Bruno Carnelos Zangirolami, acusado de disparar o tiro que vitimou o adolescente Gabriel Sartori, em 15 de junho de 2017. O crime ocorreu no Conjunto Cafezal, zona sul de Londrina, quando Gabriel tinha 17 anos. Zangirolami foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso.

De acordo com a denúncia, o réu assumiu o risco de matar (dolo eventual) ao atirar no sentido do grupo de adolescentes. Em depoimento, Zangirolami diz que, após ter anunciado sua presença ao grupo, os adolescentes teriam vindo em sua direção na intenção de agredi-lo. Só então ele teria sacado a arma e efetuado o disparo em direção ao chão.

Os dois jovens que estavam com Gabriel contrariam a versão do policial: dizem que Zangirolami não anunciou revista, teria se aproximado já com a arma na mão, feito uma ameaça verbal e disparado o tiro, após flagrá-los fazendo uso de maconha encostados no muro de uma escola estadual onde o PM residia. A bala ricocheteou na calçada e atingiu Gabriel.

O crime ocorreu por volta das 17h30, quando a mãe do adolescente, Cristiane Sartori, estava no trabalho. Anualmente ela realiza manifestações pedindo justiça pelo filho e se diz aliviada com o agendamento do júri. “Quando eu soube da data, pensei: ‘o que importa é que vai haver’. Para quem já esperou 4 anos, não custa esperar 4 meses”.

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Mãe espera mobilização social

Cristiane, no entanto, não deixa de lamentar a lentidão da justiça. “Infelizmente nossa justiça brasileira é muito falha, a gente sabe disso. E isso é muito ruim, tem muita abertura, muitos pontos que acabam complicando para a gente que é acusador”. Ela deposita na fé o resultado do julgamento.

“Deus não faz nada errado. De repente esse julgamento tem que acontecer ano que vem para haver realmente esse júri popular, porque está restrito (por causa da pandemia). De repente até em fevereiro talvez até esteja aberto, onde as pessoas possam ir lá se manifestar, tenho certeza que muita gente gostaria de se manifestar”.

Cristiane acredita na condenação do réu, com base nas provas e testemunhos coletados. “Não foi um bandido que reagiu, que estava armado, e a polícia foi lá e reagiu. Ele pode me dar mil explicações, nenhuma vai ser cabível. Está nas mãos de Deus. Eu gostaria muito que a gente conseguisse tirar a farda dele, eu acho ele uma vergonha para a polícia”, declara.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do réu.

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