Casa de ativista trans é novamente invadida em Apucarana

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Pertences de Renata Borges foram revirados; ela vê motivação política no ataque

Cecília França

Foto em destaque: Casa de Renata revirada após arrombamento/Arquivo Pessoal

A casa da ativista Renata Borges, presidenta do diretório do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em Apucarana, vou invadida na noite deste sábado (16) e seus pertences, revirados. O imóvel estava vazio no momento do arrombamento.

É a segunda vez que Renata tem a casa invadida. A primeira foi em 2019, quando ela organizava a primeira parada LGBTI+ de Apucarana. Na ocasião, facas foram deixadas sobre a cama da ativista, numa clara ameaça à sua integridade física. O caso, no entanto, foi arquivado.

Renata está em Londrina neste final de semana para participar da Mostra Cultural LGBTI+ e ainda não sabe se algo foi roubado de sua residência. Ela vê motivação política no ataque.

“Minhas brigas são políticas, é denúncia no Ministério Público por violação de direitos. Essa semana mesmo eu fui, porque uma menina teve crise de epilepsia e estava sendo negligenciada”, conta.

De acordo com amigos que estiveram na casa da ativista foi registrado Boletim de Ocorrência por arrombamento, mas o registro ficou em aberto até que ela confira se nada realmente foi levado. Renata deve retornar para casa amanhã.

‘Já perdi as contas de quantas denúncias fiz’

Renata milita pelos direitos da comunidade trans em uma cidade do interior e diz já ter perdido as contas tanto das ameaças que recebeu quanto das denúncias que registrou. Por conta disso, este ano ela foi incluída pelo Ministério Público Federal em um serviço de proteção a ativistas de direitos humanos.

Ela espera que a investigação sobre a invasão de agora tenha destino diferente daquela de 2019, arquivada sem perícia nas facas apreendidas. Em entrevista recente à Lume, Renata falou sobre seu sentimento em relação ao caso.

“Até quando a população a qual eu pertenço terá casos de violações arquivados? Até quando eu ou qualquer outra travesti seremos materiais de descaso. Não aceito essa resposta da Delegacia de Apucarana porque a minha vida ou a de qualquer outra LGBT também é importante. E crimes merecem ser solucionados.”

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