Criado este mês, ambulatório de saúde é luta antiga da comunidade trans

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Serviço passa a funcionar em Londrina no Centro Integrado de Doenças Infecciosas (CIDI), mas encaminhamento deve vir de UBSs

Cecília França

Foto em destaque: Evento da Frente Trans em fevereiro de 2021/Isaac Fontana

A Secretaria de Saúde de Londrina implantou neste mês de outubro um ambulatório multiprofissional de saúde para atendimento das pessoas transexuais e travestis. O atendimento será no Centro Integrado de Doenças Infeccionas (CIDI), mas o encaminhamento deve ser feito pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Atualmente, este serviço só está disponível em Curitiba, com fila de espera de cerca de dois anos. Integrantes da comunidade trans comemoram a conquista e lembram que essa é uma luta antiga da militância.

“É uma conquista essa possibilidade de descentralizar esse atendimento, já consegue abranger uma população muito maior. Ainda estamos engatinhando para a estrutura que é necessária para o atendimento, mas isso é um grande passo muito importante e histórico, ainda mais logo após a gente sofrer esse ataque democrático dos vereadores de Londrina, por não ter passado o Conselho LGBT. Aí a gente teve essa vitória pra dar um pouco de ar nos nossos pulmões, pra gente respirar um pouco e conseguir vislumbrar um futuro com mais perspectiva”, declara Oliver Letícia Fernandes, secretário da Frente Trans.

Ele lembra da luta de travestis e transexuais do passado. “É uma conquista que não é de hoje. Inclusive um ‘salve’ para todas que vieram antes, Scarlet Ohara, Mel Campus…A gente tem outras que estão vivas na militância ainda hoje, então, a todas que se foram, às que permanecem vivas, essa é uma conquista para toda a população trans, as que vão vir e as que estão aqui presentes”.

Para acessar o ambulatório é preciso ter mais de 16 anos e residir em Londrina. O encaminhamento acontece via UBSs e passa por regulação da Diretoria de Regulação em Saúde, de acordo com a prioridade. Segundo a Prefeitura, os profissionais têm passado por capacitações nesta temática para oferecer um bom atendimento.

Demanda reprimida deve ter prioridade

Durante três anos Londrina contou com o Ambulatório Voluntário Mel Campus, que acabou desativado durante a pandemia. Cerca de 500 pessoas foram atendidas pelo serviço durante esse período. Juuara Barbosa, da Frente Trans, acredita que a demanda reprimida após o fechamento do ambulatório voluntário deve ter prioridade agora.

“Não vejo a hora de ser atendida. Eu estava me hormonizando por conta, assim como todas as pessoas que passavam pelo ambulatório voluntário. Sei que está rolando um esforço absurdo da Secretaria de Saúde para conseguir a medicação para todas essas pessoas que o ambulatório for atender”, conta. Juuara explica que a criação do serviço consolidou-se a partir de discussões de um Grupo de Trabalho.

“Sempre havia uma pessoa trans sendo consultada, mas as coisas começaram a dar muito mais certo quando uma travesti da Frente Trans começou a participar das discussões. Ela contou para nós que, antes, a galera só estava preocupava com hormonização, sem pensar que precisava de acompanhamento da saúde mental também. Então ampliou-se a perspectiva dessa atuação como realmente um ambulatório”, comemora.

A ativista espera que o serviço se consolide como uma política de estado na cidade. “É uma vitória maravilhosa, a gente está comemorando, mas ainda não sei se é uma política de estado ou de gestão. Eu acho que ainda está nessa perspectiva de política de gestão. A consolidação é extremamente importante porque dependendo de quem entrar não vai desmontar”.

Serviços oferecidos

O ambulatório vai atender pessoas trans e travestis em processo de hormonização com serviços de acolhimento e atendimento de enfermagem; realização de testes rápidos para rastreio de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs); acompanhamento integral de saúde com profissional da Medicina de Família e Comunidade: saúde mental, acompanhamento de doenças crônicas, hormonização; solicitação de exames laboratoriais e de imagem, os quais são  realizados nos laboratórios conveniados com a Prefeitura; apoio do serviço social do CIDI; encaminhamento ao Centro de Pesquisa e Atendimento para Travestis e Transexuais  (CPATT) de Curitiba se necessário (para os querem de entrar para fila de cirurgia e acesso aos medicamentos da hormonização gratuitamente).

(Com informações do N.Com da Prefeitura de Londrina)

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