Era uma marmita
Uma marmita.

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Não é sobre o que era, foi ou será
Não é sobre o guarda-chuva
Ou o fuzil que eles juraram que viram.

Sobre o saco de pipoca
E o potencial letal desta arma branca
Seriam um novo tipo de granada?
Explosivo, letal e sanguinário.

Podia ser a descrição de uma mochila da escola
Mas é a descrição da política
A política de morte de uma nação
O genocídio pré-programado
Tal qual um alarme antes de dormir.

E o aviso
“Faltam 3 horas e 58 minutos para o alarme tocar”
Na real é a contagem regressiva
De quanto tempo resta para cada corpo preto.

Isso mesmo.
Corpos!
Não somos pessoas
Somos pedaços de carne fugindo do abate
E quando gritam “Zara zerou”
Cada um se esconde esperando o próximo morto.

Hoje foi no rio,
Ontem em Pernambuco
Amanhã em qualquer outro lugar
E morreu um dentro de mim
A cada notícia que eu recebi.

Porque.
Porque?
Porque!
Porque…

Todos sabemos
Sempre soubemos
Mas racismo não existe
Então a gente segue a vida
Como se ele realmente não existisse.

Mas mais uma bala se perdeu
Mais um corpo preto caiu
Mais uma vez eu estou fazendo as mesmas rimas
E mais uma vez o ódio me consome.

Palavras cuspidas com sangue
De uma garganta arranhada
Um coração ferido
Um corpo que não pertence a este país.

É apenas isso, morte, morte e mais morte. Empilham-se em minha porta acumulando o peso em minhas costas como se eu fosse responsável por isso tudo. É inevitável se cansar frente a este país que não se cansa de me matar sistematicamente.

*Antonio Rodríguez, 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

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