Bolsas atrasam e universitários ficam sem renda

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Pagamento do mês depende de aprovação de projeto no Congresso; continuidade dos programas do governo federal está ameaçada

Nelson Bortolin

Foto em destaque: Arquivo UEL

Cerca de 60 mil estudantes no Brasil, sendo 500 da Universidade Estadual de Londrina (UEL), estão sem receber os R$ 400 mensais de dois tipos de bolsas concedidas pelo governo federal, as do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e as de Residência Pedagógica. Os dois programas são vinculados à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Ciência e Tecnologia, e visam preparar alunos de graduação para serem professores.

Raffaela Rocha, estudante de geografia da UEL, teve de recorrer a uma vaquinha na internet para conseguir pagar as despesas do mês, incluindo o aluguel. “Muitos alunos têm as bolsas como fonte principal de renda ou única fonte. Estou com o aluguel atrasado, que é de R$ 550, e a bolsa é parte fundamental da minha renda”, afirma.

Raffaela Rocha é estudante de geografia na UEL e está sem bolsa de estudos

Outra prejudicada é a estudante de biologia da universidade, Natália de Held. “Pelo contrato, teríamos mais cinco meses de bolsa para receber, mas ela foi cortada abruptamente no mês passado. Moro com minha avó e esse dinheiro é muito importante para nosso sustento”, conta a jovem que integra a gestão provisória do Diretório Central dos Estudantes (DCE). “E o pior é que não temos perspectivas de quando vamos receber”, complementa.

Natália diz que o valor da bolsa não é reajustado desde 2013. “Nós damos aulas nas escolas públicas, preparamos materiais, corrigimos provas. O projeto é importante não só para os universitários se capacitarem, mas também para as escolas e para o que se entende enquanto rumos da educação pública no Brasil, pois ela será drasticamente afetada com o possível fim desses programas”, declara.

Em nome do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), o reitor da UEL, Sérgio Carvalho, divulgou nota nesta segunda-feira (25) repudiando o atraso nas bolsas. As referentes ao mês de setembro deveriam ter sido pagas até o dia 10 de outubro, “porém a Capes emitiu comunicado informando que o pagamento seria adiado por alguns dias, em virtude da necessidade de aprovação do projeto de lei nº 17/2021, para a recomposição orçamentária”.

De acordo com o Cepe, a situação “revela descompromisso do governo federal com a educação e a ciência”. “Evidencia também um cenário de desprezo com as políticas de formação de professores, com impactos na economia e nas condições socioeconômicas da população.”

No dia 8 de outubro, o governo Bolsonaro anunciou um corte de 87% na verba do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Londrina terá ato em defesa da educação

Raffaela Rocha diz que os estudantes estão mobilizados nacionalmente para pressionar os senadores e deputados a votarem o PL. “Mas ele é apenas para bolsas que estão atrasadas. Ainda não se sabe se o governo vai manter os programas”, afirma.

Nesta terça-feira (26) haverá um “Ato em defesa da educação” a partir das 17h30, com panfletagem nos colégios, e concentração às 18h no Calçadão. Organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UEL, o ato tem como objetivo pressionar pelo pagamento imediato das bolsas, pela manutenção dos programas e contratos estudantis, em defesa da ciência, tecnologia e educação pública de qualidade e pelo fim do governo Bolsonaro.

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