Saúde tem dificuldade em contratar psiquiatras para atuar no Caps

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Londrinense procurou o Caps III duas vezes em cinco dias e não conseguiu atendimento por falta de médicos

Mariana Guerin

No domingo, 17 de outubro, a Rede Lume recebeu uma reclamação no aplicativo de mensagens de um rapaz que havia procurado o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) III numa emergência, mas não conseguiu ser atendido por falta de médicos. Cinco dias depois, ele retornou à mesma unidade, que estava novamente sem plantonista no período da tarde.

“Na pandemia, a gente não tem um serviço de Caps funcionando. Eu cheguei aqui agora e você acredita que não tem nem enfermeira. Não tem médico, não tem nada. Tem todos os funcionários técnicos, como técnico de enfermagem, recepcionista e só isso”, descreveu o rapaz, em áudio.

“Não é o serviço de referência quando chega alguém surtado? Acho que precisa cobrar isso. Saúde mental nunca foi tão necessária como agora”, completou. Para ele, “o que deixa mais indignado é que não tem nenhuma informação. As pessoas se dirigem até o local e, ao chegar lá, se deparam com a situação de não ter ninguém para sequer fazer qualquer procedimento, só encaminhar”.

“Fica toda uma estrutura de fachada aberta, gastando o dinheiro de energia, sendo funcionário público, para um lugar inóspito, que não tem resolutividade, que não atende, que não faz jus ao serviço de referência que é para saúde mental”, finalizou o rapaz.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que o Município está com dificuldade na contratação de psiquiatras para as três unidades do Caps na cidade, mas não explicou o motivo.

Londrina tem três centros de atenção psicossocial: Caps III (adulto), o Caps Álcool e Drogas e o Caps Infantil. Os dois últimos funcionam de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, enquanto o Caps III funciona 24 horas todos os dias da semana.

Conforme dados da Secretaria de Saúde, todos os serviços contam com equipe multiprofissional formada por médico psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, educador físico para os Caps AD e infantil, pedagoga e fonoaudióloga para o Caps infantil, clínico geral, enfermeira e técnico e auxiliares de enfermagem. Hoje, a maior dificuldade da Prefeitura está na contratação de médicos psiquiatras.

Ainda segundo informações da secretaria, os serviços foram mantidos durante a pandemia, porém houve redução nos atendimentos em grupo e ampliação dos atendimentos individuais.

Aos poucos, o Caps tem retomado os grupos terapêuticos, com número reduzido de usuários, mas todos em atendimento presencial. A Saúde informou que não percebeu um aumento na procura do serviço nos Caps na pandemia, mas, sim, um agravamento dos casos.

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