Polícia indicia jornalista que denunciou presença irregular de juíza em manifestação

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Agora, Ministério Público vai decidir se leva adiante denúncia contra José Maschio, o Ganchão, por calúnia e difamação

Cecília França

Foto: José Maschio/Reprodução redes sociais

A Polícia Civil decidiu indiciar o jornalista José Maschio, conhecido como “Ganchão”, por ter denunciado a presença irregular da juíza da 6ª Vara Criminal de Londrina, Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha, nas manifestações do dia 7 de setembro. Maschio compartilhou em suas redes sociais fotos da magistrada no ato, que tinha pautas antidemocráticas, argumentando que sua presença feria a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). Noronha, no entanto, registrou boletim de ocorrência contra Maschio por calúnia e difamação e o caso agora será analisado pelo Ministério Público (MP).

“O que passou e está a mover a roda do poder judiciário foi o descontentamento da juíza com a publicidade de sua adesão ao evento golpista de 7 de setembro passado, pautado, convocado e realizado contra o Supremo Tribunal Federal. Ela, enquanto juíza, ao atender à convocação da manifestação de pauta antidemocrática feriu a LOMAN (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), na medida em que esteve presente na manifestação organizada contra o STF. Gancho apenas noticiou o que ela, juíza, fez. Nada mais que isso. Insatisfeita com a mensagem passada por sua conduta ela mirou a atacou o mensageiro. Aguardemos a justiça se fazer!”, afirmou o advogado do jornalista, João dos Santos Gomes Filho, ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR).

Matéria do jornal Plural mostra que, após a conduta da juíza vir a público, ela está sendo investigada internamente pelo Tribunal de Justiça por ferir tanto a Loman quanto o Código de Ética da profissão. Na foto divulgada por Maschio, Noronha aparece de peruca verde e amarela ao lado de outras pessoas, uma segurando cartaz com os dizeres “Supremo é o povo”, frase utilizada pelos defensores do fechamento da suprema corte.

Pelas redes sociais, Maschio se declarou indignado com o indiciamento pela Polícia Civil. “Indignação. Só uma palavra. E define o que sinto com esse indiciamento que fere o Estado Democrático de Direito”.

Foto divulgada por Maschio/Reprodução Sindijor Norte PR

No início de outubro, o Sindijor Norte PR, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e mais de 100 entidades e pessoas – incluindo a Rede Lume – assinaram uma Carta Pública de Apoio a José Maschio.

A advogada do Sindijor Norte PR, Roberta Bacarat, declarou à entidade que o indiciamento de Maschio é “um atentado ao Estado Democrático de Direito e afeta, não somente os jornalistas, como todos os cidadãos”. “Calar ou impedir a exposição de fatos por jornalistas é inconstitucional e viola os direitos fundamentais de todos os brasileiros. Estou certa de que o Ministério Público e a Justiça brasileira não permitirão essas violações e preservarão o ordenamento jurídico brasileiro como expressão da democracia”.

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