Veja quem votou a favor da ‘Lei Anti Vadiagem’

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Vereadores alegam que Londrina se tornou um “despejo” de pessoas em situação de rua

Nelson Bortolin

Foto: Devanir Parra/CML

Chavão, Eduardo Tominaga, Emanoel Gomes, Giovani Mattos, Jairo Tamura, Jessicão, Madureira, Mara Boca Aberta, Nantes e Roberto Fú. Esses são os vereadores londrinenses que votaram a favor da proposta de criação da Lei Anti Vadiagem, feita pelo colega Santão.

Não se trata de projeto, mas de uma indicação ao prefeito Marcelo Belinati (PP) para que ele proponha uma lei impedindo que pessoas em situação de rua ocupem locais públicos – como praças, parques e calçadas – e só libere o repasse de qualquer benefício social a elas após realização de exame toxicológico.

A proposta ganhou repercussão nacional ao ser chamada de “desumana” pelo padre Júlio Lancelotti, conhecido defensor da população de rua de São Paulo. Também foi considerada inconstitucional pelo Ministério Público. (Clique aqui e leia mais)

Apesar do caráter flagrantemente inconstitucional e higienista da proposta, e da população de rua ser tratada como vadia pelo autor, os vereadores não se arrependem de seus votos.

Um dos motivos que alegam para se posicionar favoravelmente à proposta é que a cidade se tornou um “despejo” de pessoas em situação de rua feito por outros municípios. Eles também dizem que a indicação é importante para “promover o debate” sobre essa população.

“É muito importante discutirmos isso. A população em situação de rua está crescendo cada vez mais. Se a pessoa está em situação de rua devido à dependência química, e ainda recebendo dinheiro, alimento, coisas que favorecem para que ela se mantenha assim, dificilmente ela irá procurar mudar de vida”, alega o vereador Giovani Mattos.

Mesmo considerando o nome proposto para a lei como “chulo”, Madureira votou a favor da indicação. “Londrina é um descarte de pessoas.” O vereador diz ter visto fotos feitas pela Guarda Municipal comprovando que outros municípios enviam pessoas em situação de rua para a cidade. “Votei para dar um andamento nesse assunto, para que a gente encontre uma saída. Não é desumano, não é chutar esse pessoal”, declara.

O presidente da Câmara, Jairo Tamura, alega que é importante discutir como o dinheiro público é usado na assistência social. “O que interessa para a gente é discutir o problema.” O vereador ressalta que respeita o trabalho do padre Lancelotti e que a proposta aprovada em Londrina não vai impedir cidadãos e entidades de apoiar a população de rua.

Emanoel Gomes disse à reportagem que não iria se manifestar. “Prefiro ficar quieto.” Já Chavão afirmou: “É só uma indicação”. “É importante para discutirmos”, alega. “É apenas indicação”, disse também Mara Boca Aberta. Para ela, a proposta serve para o prefeito e a Secretaria de Assistência Social encontrarem uma solução para o problema da população de rua.

Três vereadores se abstiveram durante a votação da proposta: Beto Câmara, Daniele Ziober e Matheus Thum. O primeiro disse que está ficando “feio” para a cidade a quantidade de pessoas em situação de rua. “Não costumo me abster mas eu falei para o vereador (Santão) que precisava pensar bem porque a gente precisa resolver o problema dos moradores de rua.”

Daniele Ziober alega que, devido a problemas de conexão da internet, não conseguiu acompanhar a discussão que precedeu a votação. “Não tinha informações suficientes.” Ela afirma que mantém seu voto porque é preciso “separar o joio do trigo”. Na opinião da vereadora, tem gente que está na rua porque quer e gente que não tem outra opção.

Matheus Thum declara ser contrário à proposta apesar da abstenção. “Sou totalmente contra o mérito e me abstive por não concordar com a proposta sugerida e pelos termos apresentados. É uma matéria desumana com teor inconstitucional que atenta contra os direitos humanos.”

A reportagem tentou falar com todos os vereadores que votaram a favor da proposta, mas os demais não retornaram o contato.

Deivid Wisley, Lenir de Assis, Lu Oliveira, Flávia Cabral e Sônia Gimenez votaram contra.

4 comentários

  1. Essa proposta é higienista porque combate o morador de rua e não a causa que o leva a morar a viver na rua. Essa legislatura cumpre exatamente o script de defesa do capital, da iniciativa privada, dos setores que acumulam riqueza em detrimento da miséria da maioria. A atuação da maioria dos vereadores é meramente ideológica, com preconceito à diversidade e ódio aos direitos humanos.

    Enquanto isso, temas como desemprego, fome, falta de acesso à saúde, educação e outras áreas são secundários. Em sua maioria, os vereadores têm limitações, mas o ego é exacerbado com o uso distorcido do nome de Jesus. Infelizmente, esse é o perfil da maioria dos brasileiros. E, assim, a atual legislatura, salvas exceções raras, é só o retrato do inferno que virou o Brasil sob um governo genocida, conduzido por Jair Bolsonaro.

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