‘Não fui eleito para defender bandido’, diz autor da ‘Lei Anti Vadiagem’

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Vereador Santão declara que “desumano é recolher imposto de gente trabalhadora e entregar ao tráfico de drogas”

Nelson Bortolin

Foto em destaque: Vereador Santão em ato contra a obrigatoriedade da vacina, no último sábado/Isaac Fontana

O vereador londrinense Santão diz que foi eleito para defender “trabalhadores honestos” e que está cumprindo seu dever para com os eleitores ao propor a indicação da “Lei Anti Vadiagem”. “Não fui eleito pra defender bandido, traficante, drogado, corrupto, estuprador, pedófilos”, disse ele, por meio do WhatsApp à Rede Lume.

Além de inconstitucional a proposta do vereador foi considerada desumana pelo Ministério Público e pelo padre Júlio Lancelotti, de São Paulo. Mas, para Santão, desumano é “recolher imposto de gente trabalhadora e entregar na mão de drogado pra ele manter o crime organizado de tráfico de drogas.” “Desumano são pessoas, incluindo idosas, mulheres grávidas e crianças não poderem sair de suas casas em virtude da violência causada por eles.”

Na indicação, o vereador sugere ao Poder Público que recolha todos os pertences das pessoas em situação de rua e não faça nenhum repasse de benefício social sem que essas pessoas sejam submetidas a exames toxicológicos, cujo resultados sejam negativos.

Segundo a proposta de Santão, as pessoas em situação de rua que “quiserem permanecer na cidade para pernoite terão seu direito de ir e vir garantido, deverão procurar os locais apropriados, públicos ou privados para pernoitarem, como albergues, instituições religiosas casas contratadas pelo poder público e semelhantes”.

A proposta não trata sobre a estrutura existente no município para atendimento dessa população, nem aborda como deveria ser o tratamento para os dependentes químicos.

Mesmo assim, o vereador questiona: “Querer que moradores de rua tomem banho, se alimentem, recebam palestras, tenham regras, durmam em locais apropriados e não ao relento é desumano?”.

Para Santão, os contrários à indicação são “estúpidos”, “não conseguem entender a proposta, distorcem a realidade causando narrativas inverídicas”.

Ele conclui sua resposta à Lume fazendo uma pergunta: “Você gostaria de 20/30 desses na frente de sua empresa jornalística ou na frente de sua residência? Porque minha proposta foi atendendo gente assim, gente que teve a casa invadida, gente que teve o comércio fechado, gente que perdeu o emprego…”

2 comentários

  1. Ah, vá! Não é esse o vereador que apresentou moção de apoio aos policiais que promoveram chacina na comunidade de Jacarezinho, no Rio, pelos bons serviços prestados? Violência policial/chacina promovida pela polícia é o quê? Os direitos humanos existem não para proteger bandido, mas para evitar que o estado se torne bandido.

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