Campanha analisa atendimentos a violência doméstica e de gênero em Londrina

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Campanha ‘As Néias querem saber’ busca relatos de pessoas que precisaram recorrer a serviços em casos de violência contra as mulheres; depoimentos vão compor dossiê

Da Redação

Teve início oficialmente hoje (25), Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a campanha “As Néias querem saber”, promovida por Néias-Observatório de Feminicídios Londrina e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR), com apoio da Rede Lume de Jornalistas, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) e do projeto de extensão da UEL Mulheres Construindo Democracia.

O objetivo é conhecer a experiência das pessoas que recorreram ao 180 para denunciar alguma violência contra mulheres, ou utilizaram outros serviços de atendimento à violência doméstica e de gênero em Londrina. A partir da pergunta “Você já procurou serviços de atendimento, para você ou para outra pessoa, em caso de violência doméstica ou de gênero em Londrina”, a campanha espera receber relatos de homens e mulheres sobre a receptividade e o encaminhamento dado à denúncia.

Banner de divulgação da campanha/Reprodução

A campanha ocorre durante a mobilização global “16 Dias de Ativismo pela Eliminação da Violência contra as Mulheres”, de hoje até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

“Queremos dar visibilidade à diversidade de situações que correspondem a formas de violência contra as mulheres e queremos apurar detalhes de como os atendimentos policiais e outros serviços têm acolhido e respondido às demandas em casos emergenciais de violência contra a mulher”, explica Silvana Mariano, coordenadora das Néias.

Situação real motivou campanha

A ideia da campanha surgiu a partir da angústia de uma londrinense que recebeu relato de ocorrência de violência doméstica em que o atendimento das forças de segurança não foi efetivado, mesmo após ligação telefônica. A questão foi apresentada ao Sindijor Norte PR e a entidade buscou a parceria das Néias para viabilizar a campanha.

“Havia a intenção inicial de criar uma organização, ou entidade, para tratar da questão, mas nos reunimos e expomos que a prevenção também está no escopo de atuação do Observatório. Conhecer as experiências das usuárias nos ajudará a propor melhorias e caminhar juntas, com a rede, rumo ao da violência contra as mulheres, que, em inúmeros casos, culmina no feminicídio”, diz Cecília França, diretora do Sindior Norte PR e integrante do Néias.

Para participar, envie seu relato em texto, áudio ou vídeo para o e-mail: neiasqueremsaber@gmail.com
ou pelos perfis da organização no Facebook ou Instagram. Sua identidade será totalmente preservada.

Relatos vão gerar dossiê

A partir dos relatos recebidos as Néias pretendem basear suas ações junto aos serviços existentes de forma que se tornem mais eficazes para a sociedade e na proteção das mulheres. “Vamos organizar os dados gerados a partir da campanha e produzir relatórios e dossiês que possam contribuir para que os serviços conheçam a percepção que a população usuária tem sobre os atendimentos realizados”, destaca Silvana Mariano.

A pesquisadora aponta uma precariedade de levantamentos sobre esse cenário. “Raramente acontecem pesquisas de avaliação desses serviços. Raramente a população é ouvida sobre a qualidade dos serviços que recebem. Nossa campanha contribuirá para avanços nessa perspectiva”, finaliza.

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