Hemocentro do HU celebra hoje o Dia Nacional do Doador de Sangue

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Semana de conscientização alerta sobre a importância do doador de sangue para a manutenção dos atendimentos médicos nas redes de saúde pública e privada

Mariana Guerin

Foto em destaque: Guto Rocha/Arquivo Pessoal

Hoje é Dia Nacional do Doador de Sangue e mais uma vez o Hemocentro do Hospital Universitário de Londrina faz campanha para conscientizar a população sobre a importância da doação. Para marcar a Semana Nacional do Doador de Sangue, o hospital recepciona os doadores com um lanche especial e hoje serão distribuídos brindes aos doadores.

O jornalista Guto Rocha doa sangue ao Hemocentro do HU a cada dois meses. Ele começou a doar na cidade quando se mudou do interior de São Paulo para cursar a Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1988.

“Tinha um posto de coleta de sangue no campus, dentro de um ônibus, que ficava em frente à biblioteca central. Um dia eu resolvi doar e então eu passei a doar sempre enquanto estava na universidade.”

Naquela época, não havia proibição legal contra homossexuais doarem sangue, então Guto, que ainda não tinha vida sexual ativa, se sentiu motivado a doar. “Doei tudo que eu pude do meu corpo, inclusive pele, medula óssea. Eu já tinha doado a córnea com 10, 12 anos de idade, em São José do Rio Preto, cidade onde eu nasci.”

Ele se espelhou no exemplo do pai, que sempre doou sangue. “Para mim foi uma coisa natural doar sangue, achava que estava ajudando as pessoas que estavam precisando. Já tinha entendimento e quando eu vi a campanha de doação de córneas, não tive dúvida, doei minha córnea também, ainda criança”, recorda.

Aos 25 anos, quando se casou e deu início à sua vida sexual, ele teve que parar com as doações de sangue. “Não podia mais porque eu tinha relacionamento, mesmo sendo só com meu namorado.”

Recentemente, em 2019, ele decidiu retomar as doações, que passaram a ser frequentes. “Desde então eu tenho doado a cada dois, três meses. Esse ano eu consegui doar a cada dois meses, que é o mínimo de tempo que um homem precisa para poder doar sangue com regularidade.”

“Eu sinto um prazer enorme em saber que estou ajudando um monte de gente que eu não conheço. Nem sei para quem vai esse sangue. Você vai lá e doa voluntariamente, pelo simples fato de saber que está ajudando alguém”, justifica Guto, que também já doou motivado pela necessidade de conhecidos que estavam hospitalizados.

“Fisicamente eu nunca senti nada além da picada da agulha, para mim isso sempre foi muito natural, nunca tive medo”, comenta o jornalista. “Depois de doar, me levanto da cadeira, vou lá fazer um lanchinho, conversar com as meninas da copa do Hemocentro e vou embora satisfeito por ter ajudado”, brinca.

Enfrentando preconceitos de frente, Guto lamenta os anos que precisou interromper as doações por ser homossexual: “Eu sempre me cuidei, nunca fui promíscuo, então não via muito sentido, mas, enfim, era uma lei. Depois que foi aprovada a lei federal que autorizou, eu voltei a doar”.

“Eu sempre monitoro a saúde, faço exames de sangue regularmente, então sempre achei essa proibição absurda. Não tem mais essa de grupo de risco. Eu acho que todo mundo que pode, deveria doar sim, porque está ajudando muita gente que precisa e o banco de sangue está sempre precisando, porque sempre tem muita gente para atender.”

Data reconhece importância do doador

“O Dia Nacional do Doador de Sangue reconhece a importância do doador para a saúde do País e reconhece uma rede de pessoas do bem, que tem por objetivo auxiliar o próximo sem nenhum tipo de recompensa”, justifica o hematologista Fausto Celso Trigo, coordenador do Hemocentro de Londrina. Atualmente, o Hemocentro do HU atende 22 hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), que integram a 17 Regional de Saúde.

Segundo o hematologista, a existência de bancos de sangue é fundamental para o bom funcionamento da rede de saúde: “A rede de saúde realmente deixa de realizar uma série de tratamentos médicos, colocando em risco a vida das pessoas, porque inúmeros tratamentos dependem de sangue”, destaca Trigo, lembrando que o Hemocentro de Londrina abastece tanto a rede pública quanto a privada.

“Infelizmente, no País, sangue ainda não é tratado como uma política de saúde obrigatória. Bancos de sangue privados ainda existem e são uma parcela importante, inclusive, da hemoterapia nacional. Sem os bancos de sangue privados, realmente haveria ainda mais falta de sangue do que já existe”, diz.

De acordo com o hematologista, de uma forma geral, os bancos de sangue públicos, chamados hemocentros, estão aumentando em número, tamanho e capacidade de provisão de sangue e só eles fornecem sangue para os hospitais públicos, que são a grande maioria no País.

“Eu sou a favor de que os hemocentros possam prover sangue tanto para bancos de sangue públicos quanto privados no futuro, porque eu acredito que sangue é uma política de saúde nacional, uma política pública de saúde.”

Triagem assegura procedimento

Trigo explica que para realizar a doação, pessoas com mais de 18 anos e até 69 anos de idade, quando já são doadoras prévias, ou até 60 anos, quando é a primeira vez que doam, devem levar um documento oficial com foto para o hemocentro.

“Lá, ele vai fazer um cadastro, passar por um processo de triagem de sinais vitais, assegurando que ele tem boa saúde para doar sangue, e uma triagem clínica, que são um conjunto de perguntas sobre a saúde do doador para, mais uma vez, assegurar que ele não tenha problema na doação e assegurar que o receptor do sangue dele não terá problemas”, descreve.

“Ele será questionado acerca de aspectos de saúde, exposição a fatores de risco infecciosos e não infecciosos e, caso se detecte que existe algum risco para a saúde dele ou para a saúde do receptor, ele não poderá atuar e ficará inapto, às vezes de forma temporária, às vezes de forma definitiva”, completa o hematologista.

A doação é de 400ml a 450ml de sangue no total e ocorre em, no máximo, dez minutos. Em seguida, o doador toma um lanche dentro do próprio hemocentro e vai embora. “Essa bolsa de sangue doada vai entrar para o nosso laboratório, vai ser processada, para finalmente oferecer aos hospitais os concentrados de glóbulos vermelhos, de plaquetas e de plasma fresco congelado. Uma bolsa de sangue é fracionada e processada em três componentes sanguíneos diferentes e que podem prover componentes para três pessoas diferentes.”

Londrina tem dois pontos de coleta de sangue

Em Londrina, são dois pontos de coleta de sangue. O Hemocentro do HU faz a provisão de sangue a hospitais públicos e filantrópicos da cidade e para hospitais públicos da 17 Regional de Saúde. “As doações para a rede pública estão concentradas no Hemocentro do HU. Existe um banco de sangue privado na cidade, chama-se IEL, que provê sangue principalmente aos hospitais privados e ainda provê sangue a uma parte pequena de SUS de hospitais da cidade.”

Segundo o hematologista, não é possível quantificar o déficit de sangue na cidade, pois a doação é dinâmica, assim como o consumo. “Nós ficaríamos confortáveis se tivéssemos um aumento de aproximadamente 30% a 50% do sangue que se doa hoje”, calcula Trigo.

“O problema da doação de sangue é que ela não é passível de armazenamento, porque o sangue é um material biológico e tem prazo de validade. É importante frisar que a doação de sangue precisa ser realizada diariamente, de segunda a sábado, que são os dias que o Hemocentro do HU atende, para que a gente não tenha desabastecimento de sangue.”

Medo ainda impede doações

Para Trigo, o medo ainda impede muitas pessoas de doar: “Existe um tanto de preconceito da possibilidade de passar mal ou de se contaminar por alguma doença, o que são preconceitos infundados. A chance de uma pessoa passar mal na doação de sangue também é muito pequena. No máximo, ela pode ter uma queda de pressão e dentro Hemocentro do HU vai ser prontamente atendido, não vai ter problema nenhum”.

“Outro fator que impede as pessoas de doarem é realmente não dispensar importância à doação de sangue. Muitas pessoas ainda ignoram o fato de que sem sangue não podem ocorrer tratamentos médicos, sem sangue várias pessoas podem, inclusive, morrer”, alerta o hematologista.

Ele reforça a necessidade das campanhas de conscientização. “Desde 2014, Londrina homenageia publicamente os doadores e promove ações de marketing e publicidade para a conscientização da doação de sangue, com a promulgação da lei da quinzena municipal de doação de sangue, inicialmente em 2014, em 2017, com a promulgação do junho vermelho.”

Para doar:

É necessário agendar pelo link http://www.saude.pr.gov.br/doacao.

Os horários para a doação de sangue são: nos dias de semana das 13h às 18h30, e no sábado das 8h às 17h30. O Hemocentro fica em prédio anexo ao HU, na Rua Cláudio Donisete Cavalieri, 156.

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