Famílias de presos protestam por volta regular das visitas

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Mães e companheiras se reuniram em frente ao Creslon, em Londrina, para questionar visitas reduzidas e manutenção do veto a sacolas

Cecília França

Familiares de detentos reuniram-se na manhã desta quinta-feira (2) em frente ao Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon) reivindicando a retomada integral das visitas e do envio direto das sacolas para os presos. Desde o início da pandemia da covid-19, em março de 2020, as unidades prisionais do Paraná foram fechadas para visitas presenciais e as sacolas enviadas pelos familiares passaram a ser aceitas apenas via sedex. Somente no mês passado, em novembro, houve uma retomada parcial das visitações.

Com o avanço da vacinação, a queda nos números de infecções, óbitos e ocupação hospitalar por covid-19, e a retomada quase total das atividades econômicas e de lazer, as famílias questionam a manutenção das restrições nas unidades.

“Está tudo liberado em Londrina. Teve shows com mais de 2 mil pessoas nos finais de semana. Tudo liberado: bares, lanchonetes, baladas, por que só as unidades não? Por que só nós somos esquecidos, como sempre?”, questiona Josiane, esposa de detento e representante do grupo.

No mês de novembro, o Departamento Penintenciário do Estado do Paraná (Depen-PR) liberou parcialmente as visitas presenciais para pais, mães, companheiras e companheiros. Cada detento pode receber apenas uma visita por mês e por 1 hora. Antes da pandemia as visitas eram quinzenais, das 8h às 15h.

“O sistema antigo era visita das oito às três, a cada 15 dias, podendo entrar todos namorada, todos os familiares, porque todos têm o direito. Alimento podia entrar, hoje só o familiar que entra no pátio”, explica Josiane. Manifestações com o mesmo intuito ocorreram em outras regionais do Estado. A esposa de um detento de Curitiba participou do ato e diz que a sensação é de humilhação.

“A gente se sente humilhada na verdade, né. Tudo voltou, é um descaso, a gente sempre é discriminado. Mas não estamos cobrando regalias, estamos cobrando o que está na lei”, afirma à Lume. Em pauta de reivindicações entregue ao coordenador regional do Depen em Londrina, Reginaldo Peixoto, que estava em Curitiba, os familiares solicitam “revisão sobre o planejamento do retorno das visitas presenciais no estado”.

“Estamos acompanhando as notícias e vemos que estamos com uma queda significativa em relação as mortes e a contaminação da covid -19 no estado. No dia 16/11/2021 os meios de comunicações noticiaram que o Governo do Estado suspendeu as restrições do estado exigindo apenas o uso de máscara e para cada município seguir as suas restrições”, pontuam.

“Todos os apenados tem direitos iguais previsto em lei que diz: quem tiver no seu rol de visitas devidamente cadastrados pode entrar nas unidades, então porque de primeiro momento deixaram destinados só a mães, pais, companheira e cônjuge e os outros apenados que tem apenas as visitas de irmãs, namoradas, amigas, tios, primos, avós, ficam tendo seu direito violado?”.

Retorno das sacolas

Familiares têm o direito de enviar sacolas para os detentos com produtos diferenciados, como roupas e alimentos. Desde o início da pandemia, no entanto, a entrega presencial foi suspensa e os produtos só podem ser enviados via sedex. Mãe de dois detentos, uma das mulheres presentes na manifestação desta quinta-feira diz que chega a gastar mais de R$ 300 com cada envio e, por isso, não consegue fazer mensalmente.

Josiane conta que no Natal também era permitido o envio de uma sacola especial, com itens diferenciados, o que permanece proibido pelo segundo ano consecutivo.

“Podia estar mandando um panetone, um bolo, refrigerante, um pudim, um pedaço de carne assada, também foi cortada, não tem mais. (No ano passado) eles fizeram tipo um convênio, e um pastor doou um pedaço de panetone, com três mini esfirras e um copo de refrigerante para cada detento”.

Durante a manifestação, três participantes foram recebidas pela direção do Creslon, que informou não ter autonomia para mudar regras estaduais. A reportagem entrou em contato com o coordenador regional do Depen em Londrina, Reginaldo Peixoto, que está em Curitiba, mas não obteve retorno.

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