Vamos celebrar Kwanzaa!

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Na minha última coluna do ano quero compartilhar um pouquinho do Kwanzaa, uma festividade da comunidade negra! O kwanzaa é uma celebração cultural sobre família, comunidade e cultura. O objetivo é abraçar nossas raízes africanas e celebrar a nossa história e quem somos.

Realizada anualmente de 26 de dezembro a 1º de janeiro, o Kwanzaa celebra a união, autodeterminação, economia cooperativa, propósito, criatividade e fé dos povos afro-americanos e da diáspora africana. Esses sete princípios são chamados Nguzo Saba e direcionam cada dia de celebração.

Criado na década de 60 nos EUA pelo ativista Maulana Karenga o Kwanzaa foi pensado como uma alternativa para que os afro-americanos pudessem celebrar as festividades do final de ano, sem necessariamente vincular isso à religião ou às formas hegemônicas de celebração. Ou seja, sem se submeter à cultura do colonizador.

A palavra Kwanzaa vem do suaíle e representa a mistura de várias culturas do continente africano. É um vernáculo próprio de países como Uganda, Quênia, Ruanda, República Democrática do Congo, etc… Kwanzaa quer dizer início e o ritual da festividade é baseado nas festas da colheita dos primeiros frutos. A cada dia um dos princípios é celebrado.

Princípios do Kwanzaa

26 de dezembro: “Umoja” – Unidade

27 de dezembro: “Kujichagulia” – Autodeterminação

28 de dezembro: “Ujima” – Trabalho coletivo e responsabilidade

29 de dezembro: “Ujamaa” – Economia Cooperativa

30 de dezembro: “Nia” – Objetivo

31 de dezembro: “Kuumba” – Criatividade

1 ° de janeiro: “Imani” – Fé.

Objetos e seus significados

No kwanzaa primeiro é colocado o Mkeka, um tapete que representa a terra africana. Em seguida o Kinara, um candelabro com sete pontas e nele são colocadas sete Mishumaa Saba, as velas. Cada vela representa um dos princípios do Kwanzaa. A vela preta ao meio simboliza as pessoas negras e é acesa no primeiro dia da festividade. As velas vermelhas, à esquerda, simbolizam a luta dos povos africanos da diáspora e as três velas verdes, do lado direito, representam a esperança, a promessa e o futuro.

Muhindi são as espigas de milho que também fazem parte da decoração. Elas são colocadas simbolizando cada criança da família. Quanto mais crianças, mais espigas. Os Zawadi são os presentes, que em geral são trocados entre os familiares no último dia da festividade. As crianças recebem três presentes, que são de cunho educativo ou artístico. Um livro, um brinquedo e um elemento simbólico.

O Kikombe cha Umoja é um cálice que representa unidade da família e da comunidade. Ele é compartilhado por todos os participantes da celebração. (Vale lembrar que em tempos de pandemia esta parte não tem sido executada). E os Mazao são as frutas e alimentos da safra que são colocadas em uma tigela, representando a produtividade da comunidade.

Na cerimônia festiva do dia 31 de dezembro, dia de Kuumba, a criatividade é saudada. Nessa data se realiza uma refeição farta, servida em um grande tapete Mkeka, que é colocado no chão com as comidas e as pessoas se sentam à volta para comer, em geral, com as mãos. (Em tempos de pandemia também não tem sido realizada).

A celebração pode ser feita com música, tambores, dança, leitura de trechos da história africana, reflexões, reavaliações, apelo por unidade, etc.

Durante a semana do Kwanzaa as pessoas se cumprimentam dizendo Habari Gani, que quer dizer algo como: Quais as novidades? E a resposta é sempre o princípio do dia. E para aqueles que não são da cultura africana e querem cumprimentar as pessoas que estão participando da Kwanzaa, pode-se dizer: “Joyous Kwanzaa!”, que significa Feliz Kwanzaa. !

Representatividade

Kwanzaa foi criado como uma resposta a uma crise cultural. É um espaço para nos conectarmos com a África. Parte de nossa história foi podada quando fomos sequestrados do continente africano e escravizados nas Américas, mas nossa raiz segue incontestavelmente firme em África. Procuramos um sentimento de pertencimento e o Kwanzaa traz isso.

É uma celebração que vem ganhando cada vez mais adeptos porque é uma maneira de festejarmos, a partir de valores civilizatórios africanos, nossa cultura e quem nós somos.

É também uma forma de resistência e um jeito de passar para nossas crianças nossos valores africanos de família, de comunidade e de cultura.

Referências:

Bland, M. (1985). Getting ready for Kwanzaa: A story-coloring-activity

book. Seattle: Jomar Enterprises.

Pinkney, A. (1993). Seven candles for Kwanzaa. NY: Dial.

Saba, Mishumaa, and Kikombe cha Umoja. “How to Celebrate Kwanzaa.”

“The Black Candle – A Kwanzaa Celebration vídeo documentário.

Ana Maria Alcantara é mulher preta, mãe, jornalista e feminista negra. Ligada no rolê de skincare nas horas vagas.

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