CedcaPR avalia notificar ministro por vacinação de crianças contra a covid

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Instado a se manifestar pelo secretário de Justiça, Família e Trabalho, Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente avalia petição na próxima segunda-feira (3)

Cecília França

Foto em destaque: Mufid Majnun

Na próxima segunda-feira, dia 3, a mesa diretora do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca) se reúne para avaliar o envio de uma notificação ao ministro da saúde, Marcelo Queiroga, para que libere imediatamente a imunização de crianças entre 5 e 11 anos contra a covid-19. A possível notificação foi uma petição do secretário de Justiça, Família e Trabalho (Sejuf), Ney Leprevost, encaminhada nesta quinta-feira (30) ao Conselho. O secretário defende que a vacinação ocorra com celeridade e sem exigência de prescrição médica.

Leprevost diz que a preocupação maior é com crianças em situação de vulnerabilidade. “A Sociedade de Pediatria está correta. Se prevalecer a intenção do ministro Queiroga, só as crianças de classe média e alta terão acesso rápido a vacina”, afirma.

Ele exemplifica: “Meu filho tem 11 anos. Eu tenho plano de saúde. Posso marcar uma consulta pra ele, peço a receita pra vacinar e protejo meu filho da Covid. E o pai que está desempregado ou que recebe salário mínimo como é que faz? Fica aguardando meses por uma consulta na unidade de saúde pra conseguir a prescrição pra vacinar seu filho? Isto é o cúmulo da injustiça e do desrespeito ao princípio constitucional da igualdade de direitos”, defende.

Em quase dois anos de pandemia, cerca de 2.500 crianças e adolescentes morreram devido a complicações da Covid-19. A Associação Médica Brasileira publicou, na última segunda-feira (27), um manifesto a favor da vacinação de crianças contra a doença. O documento conta com o apoio de outras 14 associações e sociedades de especialistas em medicina, entre elas a Sociedade Brasileira de Pediatria.

A aplicação da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos foi autorizada pela Anvisa em 16 de dezembro, mas o ministro da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem atuado no sentido de dificultar a imunização. A exigência de receita média e autorização expressa dos pais partiu de sugestão de Bolsonaro e vem sendo rejeitada por prefeitos, governadores e secretários. Tanto o prefeito prefeito de Londrina quanto o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, já disseram que não acatarão as exigências.

“A sociedade precisa se unir em defesa das nossas crianças. Começou tudo de novo, as fake news estão se espalhando como rastilho de pólvora e já tem pais, muito bem intencionados, acreditando nas mentiras proliferadas através das redes sociais. As pessoas precisam ouvir a verdade e nós vamos ajudar os pediatras a expô-la. A negação da ciência já matou demais neste país”, finaliza Ney Leprevost.

A presidente do CedcaPR, Ângela Mendonça, confirma que recebeu a solicitação do secretário e que esta será a pauta da reunião da próxima segunda-feira. Ainda impossibilitada de se manifestar enquanto entidade, ela manifesta seu posicionamento pessoal: “Como defensora dos direitos da criança e garantista, nos termos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), sou absolutamente favorável à imediata vacinação das crianças”.

(Com informações da assessoria da Sejuf)

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