Em apenas 7 dias, janeiro supera dezembro em casos de covid

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Vacinação e perfil da variante, porém, impedem avanço das mortes e internações

Cecília França

Foto em destaque: UPA do Sabará lotada em Londrina/Isaac Fontana

Nos primeiros sete dias de janeiro, Londrina contabilizou 1.111 casos confirmados de covid-19. O número supera em 49% o de dezembro de 2021 inteiro, quando foram registrados 746 novos casos da doença. Somado ao surto de casos gripais, Unidades Básicas de Saúde encontram-se lotadas e o município foi obrigado a rearranjar o sistema para dar conta da demanda. Cenário que lembra o início do ano passado.

Por outro lado, os índices de internações e óbitos por covid não crescem na mesma proporção, o que mostra a efetividade da vacina, na visão do secretário de saúde, Felippe Machado. Até o momento houve apenas uma morte pela doença em 2022. Ontem (7), quando havia o número assustador de 1.045 casos ativos, somente 12 pacientes encontravam-se internados, sendo seis em UTIs.

Em coletiva no início da semana, o secretário analisou: “Ela (vacina) vem cumprindo integralmente o papel que se propõe, que é evitar os casos graves e evitar as mortes. Em que pese nós observarmos esse aumento considerável no número de casos e atendimentos, não houve qualquer oscilação em relação a pacientes internados, a número de óbitos”.

O Projeto Safety, da Universidade Estadual de Londrina, divulgou ontem gráfico comparativo entre dois momentos, dezembro de 2020/janeiro de 2021 e dezembro de 2021/janeiro de 2022. Veja abaixo:

“A priori, a vacina tem cumprido o papel”, diz à Lume a coordenadora do projeto, Marselle Nobre de Carvalho. Na visão dela, além da vacina, a menor gravidade dos casos deve-se à menor agressividade da variante ômicron. “Em epidemiologia, as coisas são multifatoriais, quase nada é fruto de fenômeno isolado”, pondera.

Londrina tem hoje mais de 70% da população vacinada com duas doses ou dose única de imunizantes contra a covid-19. Com o relaxamento das medidas e as aglomerações e confraternizações de fim de ano, no entanto, já era esperado aumento no número de casos.

Números incertos da covid

“Temos visto no mundo todo: o aumento de casos dessa nova variante ômicron explodiu, aumentou assustadoramente. Com o final do ano, as festas, as aglomerações, encontros familiares, viagens, o número de casos também aumentou exponencialmente aqui no Brasil, mais do que a gente possa calcular”, avalia a pneumologista Ana Tereza Muzio, integrante da Associação Médica de Londrina.

A profissional explica que nem todas as pessoas que são testadas, que já começa a faltar testes em vários locais do país, e em Londrina, é que a base de dados do Ministério da Saúde está falha.

“A gente não tem noção do número de casos que tem no Brasil porque a contagem não é exata e estamos com problemas técnicos e até em notificações dos casos. Também teve invasão de hacker, enfim. Até mesmo o número de vacinados e de casos não tem sido o real. Fora isso, às vezes uma pessoa da família faz o teste da positivo e várias pessoas da família pegam, mas não fazem o teste”, destaca.

Menor comprometimento pulmonar

Ana Tereza ressalta que a variante ômicron é altamente transmissível, mas tem causado sintomas menos graves, levando mais a sintomas de vias aéreas superiores. “Os pacientes não tem vindo tão graves quanto nas cepas anteriores, quando tinha muito comprometimento pulmonar e outros, causando tromboses e outras complicações. Podemos pensar em duas questões: a importância da vacinação controlando a pandemia no aspecto de evitar os casos graves e as internações. A função da vacina é justamente essa. E quanto mais pessoas vacinadas, menor a chance de surgir novas variantes”, avalia.

“Há uma possibilidade também da variante estar sendo enfraquecida. Não dá para ter certeza, mas isso pode sugerir que há uma luz no fim do túnel: quando uma variantes se torna altamente transmissível, pegando um grande número de pessoas, e ela se torna mais enfraquecida isso pode indicar que a pandemia pode estar chegando no final”.

Até que se possa decretar esse final, a médica ressalta que as medidas de controle devem ser mantidas: usar máscara, álcool em gel e evitar aglomerações.

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