Passagem passa a custar R$ 4 em Londrina

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Comitê do Passe Livre critica aporte de até R$ 25 milhões para empresas em troca de economia irrisória para o usuários

Cecília França

Foto em destaque: Ônibus lotado em Londrina/Rosa de Souza-julho de 2021

Entrou em vigor nesta terça-feira (11) o valor de R$ 4 para a passagem do transporte coletivo em Londrina. A medida foi possível após aprovação pela Câmara de Vereadores, em regime de urgência, de projeto de lei encaminhado pelo Executivo. A Lei 13.340/2021 determina a redução da tarifa (que custava R$ 4,25) e autoriza o município a custear integralmente a passagem de usuários isentos, como idosos, aposentados por invalidez, pessoas com deficiência e seus acompanhantes, integrantes das forças de segurança, pessoas com câncer que façam quimioterapia e/ou radioterapia, “além de arcar com o custo de eventual diferença necessária para cobrir o custeio do serviço de transporte público coletivo de passageiros“. O aporte dado às empresas pode chegar a R$ 25 milhões em 2022.

Londrisul e Grande Londrina, operadoras do sistema, haviam enviado propostas de aumento da tarifa para mais de R$ 10, alegando prejuízos no período da pandemia. Dias depois, o prefeito Marcelo Belinati (PP) declarou-se contrário ao aumento e anunciou a redução, aprovada por 14 dos vereadores. Para o Comitê pelo Passe Livre, tudo não passou de “uma grande encenação”.

“Argumentaram que o valor seria para compensar as perdas de lucros da pandemia. Isso foi noticiado em toda a imprensa para provocar temor na população.” diz o Comitê, em nota enviada à Lume. Para o grupo, a redução ínfima para os usuários não justifica o aporte milionário às empresas.

“Para os usuários do transporte quase nada mudará, pois o desconto de 25 centavos na passagem por dia não é nada perto dos milhões que sairão do bolso do próprio povo e irão para ricos donos dos transportes.” Para uma pessoa que utiliza dois ônibus por dia, seis dias por semana, por exemplo, a economia mensal será de 20 reais.

Matéria da Lume, publicada em julho de 2021, mostrou redução nas linhas operadas pelas concessionárias e o temor dos passageiros que conviviam com a lotação nos ônibus no auge da pandemia. Na época, a Londrisul confirmou redução de 50% no movimento de passageiros e de quase metade das linhas operadas. A Grande Londrina não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Em 2021 o município concedeu aporte de 22 milhões para minimizar prejuízos das empresas.

14 vereadores aprovam projeto

O projeto do Executivo foi aprovado por 14 vereadores em sessão extradordinária que se estendeu da última sexta-feira até a madrugada de sábado (8). Votaram a favor: Beto Cambará (Podemos), Chavão (Patriota), Daniele Ziober (PP), Deivid Wisley (Pros), Eduardo Tominaga (DEM), Emanoel Gomes (Republicano), Jairo Tamura (PL), Lenir de Assis (PT), Lu Oliveira (PL), Madureira (PTB), Matheus Thum (PP), Nantes (PP), Prof.ª Flávia Cabral (PTB) e Prof.ª Sonia Gimenez (PSB).

Os votos contrários foram dos vereadores Giovani Mattos (PSC), Jessicão (PP), Mara Boca Aberta (Pros), Roberto Fú (PDT) e Santão (PSC).

Os vereadores integrantes da Comissão Especial dos Transportes Públicos – Jessicão, Mara Boca Aberta e Roberto Fú – votaram contra o projeto de lei por classificar a proposta como ajuda às concessionárias de transporte coletivo. “Aparentemente o povo vai ter que salvar as empresas de transporte de Londrina através deste projeto, porque assim como todas as empresas do município, as empresas de transporte também sofreram neste período de pandemia”, afirmou Jessicão.

As vereadoras Lenir de Assis e Prof.ª Sonia Gimenez votaram favoravelmente à matéria, mas defenderam que o aporte seja acompanhado de melhoria na prestação do serviço. “Não dá mais para as pessoas ficarem horas num ponto de ônibus, com uma política de aporte de recursos. Uma vez a Prefeitura repassando estes recursos para as empresas, a Prefeitura tem a obrigação de gerir o sistema”, disse Assis.

Comitê não descarta ato público

O Comitê pelo Passe Livre não descarta a realização de ato público contra o aporte para as empresas, pela isenção da tarifa para estudantes e desempregados, e pela estatização do serviço de transporte coletivo. Em nota, o grupo contesta o desembolso mionário para custeio do serviço.

“Enquanto isso em Londrina, faltam empregos, a informalidade e a miséria da população só aumentam. Faltam equipe de saúde nas UBS e centros de atendimento da covid foram fechados superlotando as UPAS de atendimento. Milhões também foram gastos em decoração de natal e foi descoberto um aporte secreto de 22 milhões em julho para as empresas e agora receberão graciosamente mais 25 milhões.”

(Com informações da assessoria da Câmara)

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